Após ampla vitória de Johnson o que acontece com o Brexit?

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson, é recebido pela equipe quando ele volta à 10 Downing Street, no centro de Londres, após uma audiência com a rainha Elizabeth II, no Palácio de Buckingham

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, conseguiu a ampla maioria parlamentar que precisava para permanecer no cargo e levar adiante o plano do Brexit. A seguir as prováveis próximas etapas da política no Reino Unido.

- Concretizar o Brexit -

O Partido Conservador de Johnson fez campanha com a promessa de retirar o Reino Unido de uma vez por todas da União Europeia (UE), mais de três anos depois do referendo que aprovou o Brexit em 2016.

Depois de chegar ao poder em julho, Johnson conseguiu renegociar o acordo de divórcio com Bruxelas, mas não teve votos suficientes na Câmara dos Comuns para aprovar o pacto.

Agora, com a maioria dos parlamentares a favor do texto, ele deve agilizar o processo de aprovação do acordo para concretizar o Brexit na nova data prevista, 31 de janeiro.

O acordo tem duas partes.

O Tratado de Retirada detalha aspectos chaves do divórcio, como os direitos de seus respectivos cidadãos, a conta de 39 bilhões de libras que o Reino Unido deve pagar e a forma de manter aberta a fronteira na ilha da Irlanda.

O texto contém ainda uma declaração política que esboça as grandes linhas da futura relação econômica e de segurança entre Reino Unido e UE.

Johnson disse que submeteria o acordo ao Parlamento, sob a forma de projeto de lei que deve ser traduzido à legislação britânica, antes que os deputados iniciem as férias de fim de ano.

Mas o debate detalhado do texto não deve acontecer até o início de janeiro, tanto na Câmara dos Comuns como na Câmara dos Lordes.

O texto também deve ser ratificado pelo Parlamento Europeu antes de entrar em vigor, acabando formalmente com 46 anos de integração britânica na UE.

- Negociações comerciais -

Porém, nada mudará imediatamente após a data oficial do Brexit. O Tratado prevê um período de transição para permitir que empresas e administrações se adaptem à nova situação e dar tempo para a negociação da futura relação.

Este período termina em 31 de dezembro de 2020 e Johnson afirma que até a data terá negociado um ambicioso acordo de livre comércio com a UE, o principal sócio comercial do Reino Unido.

Muitos analistas independentes, no entanto, consideram que este período é insuficiente para negociar um acordo de tal dimensão, e ainda mais para ratificá-lo e implementá-lo.

O Tratado de Retirada permite ampliar o período de transição em um ou dois anos, mas Londres deve apresentar a solicitação até 1 de julho de 2020.

- Novo líder trabalhista -

A vitória de Johnson marca a derrota eleitoral para o líder do principal partido de oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn.

O ex-sindicalista septuagenário anunciou uma "reflexão interna" e que não vai liderar o partido nas próximas eleições, o que abre o caminho para a sucessão.

Apesar do apoio a várias propostas da esquerda, incluindo a nacionalização das ferrovias, Corbyn fez campanha como o líder opositor mais impopular em quase meio século.

Considerado um rebelde inclusive dentro de seu partido, Corbyn, um político muito mais à esquerda que grande parte dos trabalhistas, surpreendeu ao vencer a disputa pela liderança da formação em setembro de 2015.

Sobreviveu à rebelião da cúpula do partido graças ao apoio das bases e conquistou um resultado melhor que o esperado nas eleições de 2017.

Mas foi criticado por sua posição ambígua sobre o Brexit, ao prometer um novo referendo, mas assegurando que permaneceria neutro.

E também por não agir com a velocidade e determinação necessárias às várias acusações de antissemitismo dentro de seu partido.