Análise: abismo na vitória do Flamengo sobre o Botafogo se resume nas atuações de Muniz e Babi

Diogo Dantas
·3 minuto de leitura

A vitória do time reserva do Flamengo sobre os titulares do Botafogo, que levou o time à liderança da Taça Guanabara, ilustrou bem o abismo técnico e tático entre as equipes. O placar de 2 a 0, gols de Rodrigo Muniz e Hugo Moura, foi tímido diante do domínio rubro-negro, já com uma ideia de jogo enraizada, mesmo sem seus principais jogadores.

Do lado do Botafogo, que reconstrói o elenco para a Série B, faltou entrosamento, confiança e tempo de trabalho. O que não explica a diferença de qualidade individual entre os jogadores. Que é potencializada ou não pelos sistemas coletivos.

Basta notar a atuação de Rodrigo Muniz, terceira opção do Flamengo, que mostrou seu talento e foi premiado com outra boa atuação após a lesão de Pedro no início, e já tem cinco gols no torneio. Comparado a ele, Matheus Babi foi anulado e não teve com quem jogar. Com isso, o Botafogo caiu para o sétimo lugar.

A partida começou disputada e com poucos espaços, o que gerou muitos erros de passe e faltas. A primeira finalização do jogo veio apenas aos 20 minutos. Dos pés de Rodrigo Muniz, que entrou cedo no lugar de Pedro, depois de o centroavante sair com dores na coxa. O garoto mostrou logo sua estrela. Na chance seguinte, dividiu no corpo com Benevenutto, ganhou e tocou na saída do goleiro Douglas Borges. Após o gol, o domínio do Flamengo se consolidou, terminando a etapa inicial com nove finalizações. O Botafogo não conseguiu jogar e não finalizou.

O Flamengo funcionou bem com um homem de referência alimentado de um lado por Michael e do outro por Matheuzinho. Por trás, Vitinho chegava na armação com chance para chutes de média distância. Enquanto o meio-campo formado por Hugo Moura, João Gomes e Pepê dava intensidade na transição e na marcação.

O Botafogo, por sua vez, sofreu para causar danos à defesa adversária. Matheus Babi não teve espaço para jogar. Já na saída de bola, o Flamengo pressionava, e o Botafogo forçava o passe, errando a maioria deles. As melhores jogadas partiam de Matheus Frizzo, mas não tinham sequência com os pontas como se viu nos outros jogos.

Quando conseguiu avançar, o time de Marcelo Chamusca parou ou em Bruno Viana ou em Léo Pereira. O zagueiro recém-chegado ao Flamengo demonstrou mais uma vez movimentação precisa na marcação e na saída de bola, sem qualquer deslize.

Com 15 minutos do segundo tempo, o Flamengo finalizou com perigo três vezes, com João Gomes. Uma na trave e duas com intervenção do goleiro Douglas Borges. Mas não ampliou o placar.

Na bola parada, o Botafogo teve o seu melhor momento e quase empatou ao fim da sequência rubro-negra. A zaga cortou errado, e a bola sobrou para Babi arrematar, mas Hugo defendeu. No rebote, Renê evitou que Kayque, que acabara de entrar, só empurrasse para o fundo da rede. Ronald e Felipe Ferreira também agregaram qualidade ao ataque ao serem lançados.

Mas a aparente reação alvinegra foi interrompida com a expulsão de Kanu. Depois de o Botafogo pedir um pênalti em Babi, o zagueiro não conseguiu interceptar o lançamento para Muniz, e o parou na falta. Com um a mais, o Flamengo retomou as rédeas da partida e confirmou a vitória com o chutaço de Hugo Moura.