Análise: Ambição do Fluminense de ir à fase de grupos da Libertadores é legítima

Rafael Oliveira
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Mailson Santana/Fluminense FC

Quando o Brasileiro começou, mesmo entre a torcida do Fluminense havia pessimismo em relação à campanha. Depois de um bom primeiro turno, a saída de Odair Hellmann levou a outro questionamento: se a equipe conseguiria se manter na briga pela pré-Libertadores. A quatro rodadas do fim, a ambição mudou de patamar. Com o 1 a 0 sobre o Bahia — a terceira vitória seguida —, o time quer uma vaga direta na fase de grupos da competição internacional. Um sonho legítimo.

O Fluminense faz sua parte. Agora com 56 pontos, segue no quinto lugar. Está a dois do São Paulo, que abre o G4, e tem três a mais que o Palmeiras, o quinto colocado. A dupla paulista, que se enfrentaria na rodada, só fará o clássico no dia 19, já que os palmeirenses estão no Qatar para a disputa do Mundial.

A chance de ir à fase de grupos é tão grande que o Fluminense pode terminar o campeonato onde está na tabela que, mesmo assim, poderá atingir sua meta. Para isso, basta o Palmeiras, campeão da Libertadores, ganhar a Copa do Brasil. Com isso, o G4 vira G5.

Vindos de cinco rodadas invictos, os tricolores irão receber o Atlético-MG, terceiro colocado, na próxima quarta, no Maracanã. Quem poderia imaginar, no início do Brasileiro, que este seria um confronto direto pela Libertadores?

O jogo

Depois das duas boas vitórias no Rio, o Fluminense testou sua boa fase fora de casa. E não decepcionou. É bem verdade que, nos primeiros minutos da partida, o ritmo lento das duas equipes fez parecer que o jogo seria um 0 a 0 sonolento. Mas, assim que aceleraram a troca de passes, os tricolores tomaram conta da partida.

O trio Nenê, Fred e Luiz Henrique comandou as principais jogadas de ataque. O primeiro, com sua visão de jogo e os passes certeiros para os companheiros. O segundo, por mais uma vez ter entendido que pode colaborar não só concluindo as jogadas, como também usando sua experiência para dar o último passe ou desestabilizar a defesa rival. Já o último movmentou-se muito bem. Canhoto pela direita, foi para dentro da área do Bahia diversas vezes para poder usar seu melhor pé.

A participação dos três no lance do gol, aos 32 do primeiro tempo, não é coincidência. Primeiro homem da marcação, Fred aproveitou a saída errada dos baianos para desarmar o adversário e lançar Luiz Henrique. O garoto acionou Nenê pela direita e correu para dentro da área. O meia levantou na medida para o jovem de Xerém finalizar de primeira.

Sem a bola, o Fluminense parece ter se encontrado depois da turbulência pós-saída de Odair Hellmann. Apesar da lentidão dos donos da casa com a bola nos pés, o time de Marcão teve muitos méritos. Com muita aplicação e uma marcação adiantada na maioria das vezes, os tricolores não deram espaços para o Bahia avançar.

Com a saída de Luiz Henrique e de Fred, aos 13 da etapa final, a equipe caiu muito de rendimento ofensivamente. O time perdeu em velocidade e o jogo voltou a ser moroso. Menos mal que o Bahia, mesmo precisando do resultado, só conseguiu pressionar (sem sucesso) no fim.