Análise: Atlético-MG não cai em armadilha do Palmeiras e escolhe decidir a vida na Libertadores no Mineirão

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Aos 70 minutos (ou 25 do segundo tempo, na contagem tradicional brasileira), o lateral-direito Mariano aproveita a sobra de bola após escanteio e tenta a finalização. Pega mascado, sem força e ela sai sem sustos. Até este momento, apenas um chute tinha ido em direção ao gol na partida entre Palmeiras e Atlético-MG, válida pela ida da semifinais da Libertadores. Uma demonstração do porque o placar de 0 a 0 é frustrante, mas não surpreendente.

Talvez o principal motivo esteja à beira do gramado: o técnico Cuca. E não é uma crítica. Quando decidiu a Libertadores de 2019 diante deste mesmo Abel Ferreira — o Palmeiras venceu o Santos por 1 a 0, no Maracanã —, foi mais ofensivo que o adversário, mas derrotado em uma desatenção defensiva. Na "revanche pessoal", não dava para errar. Ainda mais tendo mais 45 minutos a serem disputados no próximo dia 28, no Mineirão.

Que Abel teria uma postura mais defensiva, já era esperado. Mas Cuca transformou o gramado do Allianz Parque em um tabuleiro de xadrez. Se o Atlético-MG se movimenta de um jeito, o Palmeiras embate. Se o Palmeiras tenta a velocidade, o Galo desacelera. Faltas próximas da área? Um perigo desnecessário. Superioridade numérica, falta cometida para matar o contra-ataque. Tudo isso fez o jogo ficar truncado — para não dizer a palavra correta: chato.

A escolha de Cuca foi em não cair na estratégia montada pelo Palmeiras. Um time reativo, que optou por abrir Rony e Dudu nas pontas sabendo que Mariano e Guilherme Arana são laterais que gostam de subir para o ataque. Ao não dar espaço para o adversário, talvez tenha tirado um pouco da criatividade do Atlético-MG. Mas não dá para dizer que a escolha foi errada. Pode não ter sido bonito de assistir, mas empatar fora de casa não é errado.

Outro ponto que atrapalhou o futebol do Atlético-MG foi Diego Costa. É natural que ainda se procure a melhor forma de ele estar em campo. Apesar de ainda desentrosado, é muito acima da média do futebol brasileiro. Porém, não foi bem diante do Palmeiras. Antes de deixar o gramado lesionado, pouco conseguia completar os ataques ou tabelar com Hulk. Tanto que o Galo melhorou a partir da entrada de Keno.

O lance capital da partida foi a única finalização efetiva em mais de 90 minutos: o pênalti cometido por Gustavo Gómez. Aliás, um lance que gerou certa incredulidade por ser uma falta boba que o paraguaio não costuma cometer. Hulk, que tem 82% de aproveitamento em penalidades na carreira, acertou na trave ao tirar demais de Weverton. Erro que pode ser decisivo pensando na volta.

Ao não sofrer gols no Allianz, o Atlético-MG deixa o Palmeiras com uma responsabildade enorme nas costas. Terá que superar a melhor defesa desta do Brasileiro, com apenas 13 gols sofridos em 20 jogos, e da Libertadores, com três tentos contra em apenas 11 partidas. Terá que triunfar no Mineirão, local onde o Galo perdeu apenas um jogo em toda a temporada — diante do Fortaleza, na 1ª rodada do Brasileiro.

O favorito ainda é o Atlético-MG.

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