Análise: Bélgica deixa péssima impressão em 'última dança' de geração de ouro

Existe um certo deboche dependendo de como e quem se refere à "famosa geração belga". Essas aspas, por exemplo, já conotam juízo de valor. Reunida desde 2014, ela chega à terceira e última Copa do Mundo sem títulos e apenas uma campanha de expressão: o terceiro lugar na Rússia, quatro anos atrás. Foi, de fato, o período em que mais jogadores desse grupo atravessavam a melhor fase de suas carreiras.

Isso ficou para trás e a última dança dessa espinha dorsal formada por Courtois, Alderweireld, Vertonghen, Witsel, De Bruyne, Hazard e Lukaku foi péssima, na Copa do Catar. A vitória por 1 a 0 sobre o Canadá serve apenas para dar tranquilidade para o próximo jogo, na busca por uma continuidade de Mundial mais honrosa. O bonde parece ter passado e os próprios belgas dão sinais de que sabem disso.

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Contra o Canadá, foram superados em quase todos os aspectos. Correram menos, finalizaram menos. Tiveram mais a posse de bola e alcançaram um gol, justamente no primeiro tempo, quando a superioridade dos norte-americanos foi mais evidente.

Com uma linha de cinco jogadores no meio de campo, ainda assim a Bélgica deu muitos espaços para a transição do Canadá, que se sobressaiu especialmente com Alphonso Davies. Foi dele a chance de abrir o placar logo no comecinho, em cobrança de pênati que Courtois defendeu. O goleiro do Real Madrid se recusa a descer a ladeira com o restante de seus companheiros de seleção.

Outro que, no clube, segue no melhor nível é Kevin De Bruyne. Mas contra o Canadá foi uma sombra do que é no Manchester City, com muitos erros de passe, pouquíssima intensidade. Hazard foi um jogador normal, mas isso não surpreende, tem sido assim desde que trocou o Chelsea pelo Real Madrid.

Canadenses mereciam melhor sorte

Foi uma grande atuação do Canadá, que teve bom público no Ahmad Bin Ali, na sua partida de retorno à Copa do Mundo, depois de 36 anos.

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Com intensidade absurda, um jogo baseado na troca de passes, sem bolas longas ou cruzamentos em demasia, criou ótimas chances para marcar. Parou sim no pênalti defendido por Courtois, mas também errou demais nas finalizações. Jonathan David, que marcou até agora nove gols no Campeonato Francês, apenas três a menos que Mbappé, artilheiro, teve noite ruim. Aos 22 anos, talvez tenha sentido a pressão.

Se o atacante melhorar e coletivamente o Canadá seguir com o nível de atuação que teve contra a Bélgica, ele tem totais condições de sonhar com uma surpreendente classificação para as oitavas de final. Marrocos e Croácia fizeram jogo ruim e o Grupo F está totalmente aberto.