Análise: Boas atuações (e coincidências) permitem Flamengo acreditar em mais um título brasileiro

Rafael Oliveira
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A caminhada do Flamengo nesta reta final de Brasileiro traz à memória a arrancada que garantiu o título em 2009. Coincidências marcam as duas campanhas, o que deixa o torcedor animado com a possibilidade de mais um título. Principalmente após a vitória por 2 a 1 sobre o Corinthians, neste domingo, que permite à equipe chegar ao confronto direto com o líder Internacional dependendo apenas de si para conquistar sua oitava conquista na história do torneio.

A principal semelhança é, obviamente, a arrancada na reta final. O Flamengo do Brasileiro-2020 oscilou ao longo do campeonato e só conseguiu se encontrar no caminho para o título a partir da 30ª rodada, quando se recuperou de duas derrotas seguidas e venceu o Goiás por 3 a 0 fora de casa. A partir dali, foram seis triunfos, um empate e apenas uma derrota.

Nesta sequência final, não apenas os resultados foram positivos. As atuações também. Com uma marcação intensa, em que não deixa o adversário sair da sua própria metade do campo, e facilidade para infiltrar, o Flamengo enfim ganhou uma "cara" com Rogério Ceni. Neste período, apenas na derrota para o Athletico os rubro-negros voltaram a oscilar. Desde o segundo tempo da vitória sobre o Grêmio, isso não aconteceu mais.

Este sprint final pode permitir outra coincidência com 2009. Se vencer o Internacional no próximo domingo, no Maracanã, os rubro-negros tomam a liderança dos gaúchos na 37ª rodada. Com 68 pontos, o time rubro-negro está a apenas um dos colorados. E restam apenas duas partidas para o fim do Brasileiro. Agora, só cariocas e gaúchos ainda brigam pelo título.

Vale lembrar que, na edição de 2009, foi nesta mesma 37ª rodada que o Flamengo assumiu a ponta da tabela pela primeira vez. E o feito foi alcançado após uma vitória justamente contra o Corinthians.

Para completar a lista de semelhanças, a briga pelo título é novamente contra o Internacional. A diferença é que, em 2009, a tabela não permitiu que as duas equipes fizessem um confronto direto no momento derradeiro do campeonato. A atual edição será brindada com uma espécie de final. Resta saber se todos estes sinais querem dizer que o vencedor será o mesmo daquela ocasião.

— É motivo de confiança (depender apenas de si). Conquistamos essa posição. Dependemos só da gente e, desta forma, vamos para o próximo jogo. Confiantes. Respeitando o adversário, mas sabendo que só dependemos da nossa condição — comentou Diego.

O jogo

Os primeiros minutos de jogo deram a impressão que o duelo seria fácil para o Flamengo. O Corinthians respeitou demais o estilo de jogo dos rubro-negros, se fechou próximo à própria área e, mesmo assim, não impediu o rival de levar perigo. Com apenas oito minutos de jogo, o time carioca já abriu o placar com Willian Arão desviando de cabeça a bola levantada por Arrascaeta. Dez minutos depois, Bruno Henrique quase ampliou ao acertar o travessão, também com uma cabeçada.

Mas essa era a estratégia do Corinthians. Se, num primeiro momento, a equipe de Vagner Mancini teve dificuldades com a intensidade imposta pelos rubro-negros, logo ela conseguiu encaixar seu jogo. Aos 19, o primeiro contra-ataque corintiano já deu certo. Arão falhou na marcação, e Araos conseguiu lançar Leo Natel cara a cara com o gol. O atacante finalizou com categoria, tirando as chances de defesa de Hugo.

— Foi um bate e rebate. E eu perdi o Leo (Natel) de vista — admitiu Arão.

Com o gol sofrido e a dificuldade de manter o ritmo inicial, o Flamengo foi presa fácil para a marcação corintiana. A maior posse de bola dos rubro-negros na primeira etapa (69%) foi ineficaz, já que as duas linhas do time paulista comprimidas próximo à área deixaram a meta do goleiro Cássio muito bem protegida.

O cenário não se aletrou muito na etapa final. Mas um detalhe fez a diferença. Se no primeiro tempo a presença do sol forte na metade do campo obrigou os rubro-negros a concentrar seus avanços pela direita, na volta do intervalo este fator já não existia mais. E Rogério Ceni aproveitou a possibilidade de explorar melhor a esquerda. Pediu que Bruno Henrique aparecesse mais por aquele lado e foi premiado. Aos 9, o atacante chutou colocado dali. No rebote de Cássio, Éverton Ribeiro tocou para Gabigol marcar o gol, só validado após a consulta do VAR.