Análise: Brasil é soberano na América do Sul, mas pode ter evolução travada por rivais

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A seleção entrou em campo para enfrentar o Paraguai e um dos mais sólidos sistemas defensivos da América do Sul. Seria um teste de fogo para o ataque brasileiro e as alternativas táticas criadas por Tite para vazar o adversário. Mas a equipe abriu o placar com três minutos de jogo e seguiu soberano rumo à sexta vitória em seis partidas nas Eliminatórias para a Copa do Mundo do Qatar.

O resultado consolida um patamar da seleção que é, ao mesmo tempo, positivo e perigoso. O Brasil claramente sobra na América do Sul. Talvez como há muito tempo não acontecia. E isso pode atrapalhar seu ciclo de evolução até o Mundial.

Desde a chegada de Tite ao comando da equipe, em meados de 2016, o Brasil estabeleceu um nível de resultados contra seus vizinhos em jogos oficiais que é inquestionável: em 24 partidas, somando Eliminatórias e a Copa América de 2019, foram 20 vitórias e quatro empates. Esse número pode aumentar na próxima Copa América que começará domingo, a segunda seguida em solo brasileiro.

Tite encontrou até aqui soluções para os problemas que surgiram diante de adversários sul-americanos. Contra o Paraguai, trouxe a equipe para um 4-4-2, com Richarlison e Gabriel Jesus bem abertos e Roberto Firmino e Neymar liberados para se movimentar na área central do campo. Neymar, ao jogar mais no meio, carrega marcadores com ele e abre espaço para as amplitudes. Gabriel Jesus se aproveitou dela para cruzar a bola no lance do primeiro gol.

Mas chega o ponto em que o Brasil não dá o passo seguinte e isso acontece, em parte, pela falta de situações de jogo novas que os adversários podem impor. Tite insistiu novamente com Casemiro e Fred de volantes, limitando a capacidade de construção dos jogadores de meio. Lucas Paquetá é uma opção para o treinador voltar a ter mais jogadores criativos no meio, com vocação para fazer ultrapassagens e vir partindo de trás, surpreendendo a última linha.

Seria bom para o Brasil que ao menos Uruguai e Argentina evoluíssem. Seleções que possuem talentos individuais para ocupar mais o campo de defesa brasileiro ou sair com mais qualidade nos contra-ataques. A seleção venceu os uruguaios em Montevidéu em 2020. Em novembro, está previsto enfrentar a Agentina, também fora de casa.

O futebol europeu de seleções se fechou entre si e o Brasil é, atualmente, a seleção mais prejudicada por isso. Impossibilitado de se testar contra adversários como França, Alemanha, Portugal e Bélgica, está amarrado aos sul-americanos. Seguir tão soberano no continente é sinal de virtude, mostra um grupo capaz de manter o nível de competitividade alto, apesar dos adversários em momento inferior. Mas isso é pouco. O Brasil precisa de desafios maiores para crescer.

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