Análise: Brasil deslancha ao superar nervosismo e marcação alta da Sérvia

Talvez tenha demorado um pouco mais do que o esperado, mas o futebol envolvente que a seleção promete nesta Copa do Mundo apareceu na vitória sobre a Sérvia. Os garotos resolveram. Mas precisaram deixar dois obstáculos pelo caminho antes.

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A marcação alta da Sérvia funcionou bem e tirou a seleção brasileira da zona de conforto que conheceu nos últimos quatro anos. O Brasil se acostumou a jogar contra adversários recuados, que tentam se defender e partir no contra-ataque.

Com a primeira linha tão baixa, amassada pelos sérvios, os jogadores de ataque não recuaram para compactar o time. O que se viu então foi uma dificuldade enorme para sair jogando do campo de defesa.

O nervosismo bateu forte em alguns jogadores. Lucas Paquetá, escalado no meio, oscilou, pareceu tão preocupado em não expor o time defensivamente que ficou tímido para atacar. Raphinha desperdiçou bons ataques com finalizações ruins.

Neymar esteve apagado na partida até sair machucado, consequência de uma entrada dura que sofreu no tornozelo direito. Sua má atuação fez com que a transição para o ataque fosse ruim.

Depois das dificuldades...

A Sérvia não conseguiria atuar com tanta pressão na marcação durante os 90 minutos. Quando baixou as linhas, deixou o Brasil entrar na sua área. E a seleção foi chegando cada vez mais, organizada no meio de campo brilhantemente por Casemiro.

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Quando se viu, a pressão era grande e o primeiro gol passou a ser questão de tempo. Os jogadores brasileiros estavam próximos, explorando os lados do campo, buscando cruzamentos rasteiros. Uma tendência de longa data da seleção, de buscar muito mais o ataque pela esquerda do que pela direita, foi revertida no Lusail, com o time atacando 27 vezes pela esquerda, contra 23 pelo lado oposto.

Quando a bola chegou, Richarlison resolveu e os garotos que foram entrando ao longo do jogo controlaram a Sérvia na defesa, criaram chances de ampliar o placar.

Houve bolas na trave, dribles, golaço. O pacote completo contra o adversário mais forte do grupo. No fim, a seleção terminou com expressivas 24 finalizações, dez na direção do gol. A falta de precisão nos arremates pode ser um problema ao longo da Copa. É algo que Tite precisará trabalhar, o que talvez implique em mais mexidas neste sentido ao longo do Mundial.

No fim das contas, o Brasil confirmou sua condição de um dos favoritos ao título. A Suíça é o próximo adversário a ser batido.