ANÁLISE- Caminho para renovar acordo nuclear com o Irã deve ser longo e turbulento

Arshad Mohammed e Humeyra Pamuk
·2 minuto de leitura

Por Arshad Mohammed e Humeyra Pamuk

WASHINGTON (Reuters) - Levou sete anos desde o dia de verão em 2008 quando um importante diplomata dos Estados Unidos sentou pela primeira vez para conversar com seu equivalente iraniano até os dois fecharem o acordo nuclear do Irã em 2015 que tinha o objetivo de evitar que Teerã adquirisse armas nucleares.

Ninguém espera que demore tanto para definir se eles podem ou não ressuscitar o pacto abandonado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump, mas autoridades da Europa e dos EUA dizem que a jornada será longa e árdua, se eles de fato a iniciarem.

O governo do presidente, Joe Biden, disse na quinta-feira que estava pronto para destacar o enviado especial Rob Malley para se reunir com autoridades iranianas para buscar um caminho de volta ao acordo, fechado com Teerã e seis outras grandes potências e batizado de Plano de Ação Conjunta Global (JCPOA, na sigla em inglês).

Embora Teerã tenha enviado sinais confusos em um primeiro momento, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Javad Zarif, adotou a linha dura no domingo dizendo: "Os EUA não irão conseguir retomar o pacto nuclear antes de suspender as sanções".

No cerne do acordo estava a limitação do Irã a seu programa de enriquecimento de urânio para dificultar o acúmulo de material fóssil para armas nucleares -uma ambição há muito tempo negada pelo país islâmico- em troca da liberação de sanções econômicas dos EUA e de outros países.

Em teoria, não deveria ser difícil decidir como retomar um acordo cujos termos estão detalhados em 110 páginas de texto e anexos.

Na realidade, será um desafio por duas razões: as dezenas de sanções impostas por Trump sobre o Irã após deixar o acordo em maio de 2018 e as medidas tomadas pelo Irã, após esperar mais de um ano, para violar o pacto em retaliação.

Embora ambos os lados tenham até agora em público se focado na pergunta de quem precisa agir primeiro para retomar o acordo - cada um insiste que o outro deve fazê-lo - uma autoridade norte-americana disse à Reuters que "o andamento" pode ser ajustado e aprimorado.

"A questão de quem vai primeiro... Eu não acho que será a mais difícil", disse.

"É definir como cada lado enxerga o cumprimento", acrescentou a autoridade, citando em vez disso que as sanções dos EUA possam ser suspensas e a "questão de todos os passos que o Irã tomou, eles são reversíveis?", questionou.

(Reportagem adicional de John Irish em Paris e Parisa Hafezi em Dubai)