Análise: Catar evita goleada, mas fragilidades fazem de anfitriões um coadjuvante inofensivo

Havia uma grande expectativa para saber como esse Catar, formado por jogadores da liga local e sem tradição em grandes jogos, chegaria para sua primeira Copa do Mundo. E a impressão depois dos primeiros 90 minutos do Mundial é que os anfitriões devem mesmo ser coadjuvantes. Depois de início de jogo desastroso, os cataris conseguiram evitar uma goleada, mas também não ofereceram riscos ao Equador, que venceu por 2 a 0, em partida válida pelo Grupo A.

Veja como foi: Catar surpreende e entrega Cerimônia de Abertura da Copa com cara de Olimpíada

Tabela da Copa: Datas, horários e grupos do Mundial do Catar

Simulador: você decide quem será campeão da Copa do Catar

Se o Catar nutria alguma expectativa de ir à próxima fase, pontuar na estreia seria fundamental já que, na próxima rodada, enfrenta Senegal e, na sequência, encerra a primeira fase contra a favorita Holanda.

Embora tenha conquistado a Copa da Ásia recentemente e adquirido alguma experiência ao disputar Copa América e Concacaf como convidado, o Catar se mostrou defensivamente vulnerável e sem qualquer capacidade de construir jogadas. Com uma primeira linha de cinco jogadores, com Boualem Khoukhi fazendo papel de líbero, os cataris tentavam cercar o Equador, que jogou boa parte do primeiro tempo na intermediária rival.

Almoez Ali, destaque nas competições continentais, errou as raríssimas bolas que chegaram a seus pés. O Catar terminou o jogo sem nenhum chute direto ao gol de Galindez. Alhaydos e Afif não conseguiram criar, o que obrigava Khoukhi muitas vezes a deixar a defesa e conduzir a bola na tentativa de atacar.

O técnico espanhol admitiu que os equatorianos foram superiores e que o Catar deve levar a partida como aprendizado. Uma análise clara e condizente com o futebol apresentado.

Brilho da experiência

Essa fragilidade foi explorada por Valencia três vezes no primeiro tempo. O primeiro gol, de cabeça, que aconteceu depois de uma trapalhada do goleiro Al-Sheeb, foi anulado pelo VAR semiautomático, que viu impedimento (a perna do equatoriano estava à frente). Pouco depois, ele abriu o placar da Copa do Mundo de pênalti e, aos 30min, ele ampliou, novamente de cabeça.

Aos 36 anos, Valencia é o maior artilheiro da história do Equador, chegou ao cinco gols em Copa do Mundo e reafirma seu papel de referência de um time que, mesmo vencendo na estreia, não apresentou um futebol assim tão vistoso. Mas jogou o suficiente para uma vitória que dá segurança para sonhar com as oitavas de final.