Análise: Com show de Cano contra o São Paulo, Fluminense mostra que não se acomodou no Brasileiro

A vaga garantida com antecedência na fase de grupos da Libertadores não parou o Fluminense, sua torcida e, muito menos, Germán Cano. Diante de um bom público no Maracanã (mais de 41 mil) e com hat trick do argentino, o tricolor carioca venceu o São Paulo, de virada, por 3 a 1. Uma vitória para mostrar que, mesmo sem muitas pretensões no Brasileiro, o time de Fernando Diniz não está acomodado.

O Fluminense ocupa provisoriamente a segunda colocação do Brasileiro. Chegou aos mesmos 64 pontos do Internacional, que leva a pior no número de vitórias. Mas os colorados e o Flamengo, com 61 e melhor saldo, ainda jogam na rodada.

O segundo lugar na tabela é a meta agora. Não só por significar uma premiação maior, mas porque seria a melhor colocação do time no Brasileiro desde o título de 2012. O próximo compromisso é na quarta, contra o Goiás, na despedida do time no Maracanã em 2022.

Quem ja parece não ter mais metas a serem atingidas é Cano. Com os três gols deste sábado, o argentino bateu uma série de recordes. Com os 42 marcados no ano, ele superou sua temporada mais goleadora (2019, pelo Independiente Medellin, quando marcou 41). Também se isolou como o maior artilheiro do Fluminense numa temporada só, ultrapassando os 39 de Magno Alves, há 20 anos. O centrovante tornou-se também o primeiro jogador do tricolor carioca a chegar a casa dos 40 gols numa temporada. O último havia sido Flávio Minuano, com 47 em 1970.

Cano ainda ampliou sua liderança na artilharia do Brasileiro, com 24 marcados. E para não dizer que ele não tem mais degraus a subir, resta a marca de maior artilheiro em uma temporada no país. O argentino está a um de se igualar a Gabigol e Neymar, os únicos a chegarem aos 43 em um ano no futebol nacional na última década.

Apesar dos feitos, Cano não foi o único destaque do Fluminense no Maracanã. A vitória passou principalmente pelas escolhas de Fernando Diniz. Embora tenha feito um jogo equilibrado com o São Paulo no primeiro tempo, o time carioca foi para o intervalo atrás no placar. Mérito de Luciano, que acertou belo chute de primeira, aos 29 minutos, e do goleiro Felipe Alves, que fez uma série de boas defesas.

— No primeiro tempo o goleiro foi muito bem, pegou várias bolas. A gente teve experiência para nunca desistir. A gente sempre acredita até o final — afirmou Cano.

O dedo de Diniz entra na volta do intervalo, quando todas as suas substituições (Nathan, Alexsander e Matheus Martins entraram nos lugares de Nino, Cristiano e Yago) fizeram efeito e tornaram o Fluminense um rolo compressor. A equipe empurrou o São Paulo contra sua própria área e construiu o resultado em apenas 13 minutos.

O empate contou com a falha de Felipe Alves, que espalmou na direção de Cano. Mas os outros dois gols foram resultado único da boa visão de jogo de Nathan, da aparição pelos lados de Matheus Martins e Ganso e, claro, da pontaria do argentino.