Análise: Dorival Júnior precisa renovar elenco e esperanças do Flamengo

Ayrton Lucas, autor do primeiro gol na vitória sobre o Cuiabá, é um bom exemplo de renovação que o Flamengo tenta fazer no elenco. Está na mesma linha de outros jogadores contratados nos últimos tempos, como Kenedy e Andreas Pereira. Everton Cebolinha, caso seja confirmado, entrará no mesmo bolo de reforços que tentam rejuvenescer o grupo vitorioso na cada vez mais distante temporada de 2019. O perfil é basicamente o mesmo: jovens que atuam na Europa, em nível não tão alto para fincarem raízes por lá, mas que se imagina bons o suficiente para fazer a diferença por aqui.

Entre as diferentes estratégias que o rubro-negro adotou desde que se tornou protagonista das janelas de transferências, esse é mais recorrente. Começou ainda com Vitinho, na gestão de Eduardo Bandeira de Melo, teve em Gerson e Gabigol os exemplos mais vitoriosos, e conta também com Thiago Maia e Pedro.

Agora, mais um período de contratações se aproxima, dessa vez com Dorival Júnior à frente do time. Será a chance de o treinador tentar assumir papel importante no processo e promover uma guinada tão necessária no elenco do time mais rico do país.

Haverá a necessidade de contratar um novo articulador de jogadas, uma vez que Andreas Pereira vai embora. Ele fez grande primeiro tempo no Maracanã e mostrou como sua função, quando bem executada, é fundamental para dar volume de jogo ao time. O Flamengo foi para o vestiário venceu por 1 a 0, mas a vantagem poderia ser maior.

Clima renovado

O treinador chegou com a missão de substituir Paulo Sousa. Quem esteve no Maracanã afirmou que a temperatura da torcida — foram 40.916 pagantes — estava mais agradável, antes mesmo de o jogo começar. A derrota para o Internacional no fim de semana não pesou sobre o trabalho tão curto de Dorival. Pode parecer óbvio que não deveria pesar, mas não é.

No Flamengo, ele terá de fazer o que o antecessor português não foi capaz: criar um time competitivo a partir de uma renovação difícil de se fazer. O Flamengo necessita desesperadamente virar a página de tudo que aconteceu três anos atrás, mas encontrar o ponto certo para não abrir mão antes da hora do que ainda é bom.

O maior exemplo de como esse processo é complexo está no setor ofensivo do rubro-negro. Contra o Cuiabá, o quarteto histórico, Everton Ribeiro, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol, atuou junto. Por pouco tempo, é verdade, porque Bruno Henrique deixou a partida ainda no primeiro tempo, com uma torção no joelho. Exames serão feitos para saber a gravidade do problema, mas a sensação é de que o enorme drama do jogador com lesões deve ganhar um novo capítulo.

Ele e Everton Ribeiro, por motivos diferentes, não são mais os mesmos, ainda que tenham lampejos dos melhores dias. Everton Cebolinha deverá gradativamente ganhar o lugar do atacante na equipe. Já o camisa 7 não tem sombra e segue titular, pouco produtivo. No Maracanã, perdeu boas chances, uma delas depois de belo lançamento de Vitinho, ainda no primeiro tempo do jogo. O ideal seria que o Flamengo fosse atrás de um atacante para jogar aberto pela direita realmente confiável.

A mesma preocupação não existe a respeito de Gabigol e Arrascaeta. O uruguaio segue sendo o jogador mais decisivo da equipe. O salto de qualidade com ele em campo é perceptível, sempre. No segundo tempo, quando a atuação rubro-negra já não era mais tão boa quanto no primeiro, ele encontrou ótimo passe para Gabigol finalizar e dar maior tranquilidade aos donos da casa.

Já o camisa 9, se não é mais tão artilheiro quanto em outras temporadas, isso se deve à instabilidade coletiva da equipe. Nesta quarta-feira, o jogador deu opções com sua conhecida mobilidade em campo. Quando recebeu boas bolas para marcar, deixou o dele.

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