Análise: Efeitos do clássico vão além do placar para Botafogo e Flamengo

Assim que o clássico terminou, John Textor tratou de escrever em suas redes sociais: “Estamos apenas começando”. É exatamente este o sentimento que tomou conta da torcida após o 1 a 0 sobre o Flamengo, no Mané Garrincha. Em fase de construção, o time acabou com um jejum de oito partidas sem vitórias sobre o rival. Um indício de que, como se esperava, os tempos agora são outros.

O jogo deste domingo vai além do placar e dos três pontos para o Botafogo. Seus efeitos vão além. Mostra que o time está no caminho da evolução e dá confiança para o grupo. Não se trata de esperar que a equipe recém-formada brigue pelo título. Mas fica a esperança de que, aos poucos, ela irá aumentar sua competitividade.

— Não somos uma equipe estável. Somos uma equipe com oscilações. No último jogo não fomos bem, hoje fomos bem. Não temos muito tempo juntos e é um trabalho de construção. A equipe terá avanços e recuos. Os processos ainda não estão consolidados — ponderou o técnico Luís Castro.

Mesmo com estes altos e baixos, o Botafogo está na parte de cima da tabela. Dos 15 pontos disputados até aqui, conquistou oito e está na cola do G-4. Agora, volta as atenções para a Copa do Brasil. Na quinta, recebe o Ceilândia, pela terceira fase, e só precisa administrar a vantagem de ter vencido o primeiro jogo por 3 a 0.

A cautela pregada por Castro se justifica. O Botafogo não só ainda oscila entre os jogos como ao longo deles. No de ontem, alternou momentos de controle da bola e boa construção com aqueles em que foi envolvido pelo Flamengo e salvo por Gatito. O goleiro foi um dos melhores em campo.

— As estatísticas do jogo mostram que foi muito igual. Às vezes, a última imagem é a que fica. E houve, nos últimos minutos, um Flamengo com grande volume ofensivo. Não tivemos a capacidade para sair, e deveríamos ter feito. Pode ficar essa imagem de todo o jogo. Mas o Flamengo teve oportunidades de gol e nós também — disse Castro.

Do outro lado, os impactos da partida também vão além do placar. O Flamengo não ficou em situação confortável na tabela. Segue com cinco pontos e já vê a zona de rebaixamento próxima. Mas, com o campeonato ainda no começo, é cedo para este tipo de preocupação. O problema maior é que, mais uma vez, o time não mostrou a solidez que se espera dele. Na semana em que Jorge Jesus declarou que quer voltar ao clube, a derrota foi o estopim para a torcida pedir por ele como forma de pressionar Paulo Sousa.

— Respeito a história do Flamengo e a importância do que o Jorge foi no Flamengo em 2019. Também temos que respeitar o Paulo César Carpegiani, que ganhou o título mais importantes da história do clube. O Jorge eu só peço a Deus que o abençoe e a toda sua família. E que ele tenha saúde e paz. Sobretudo consigo mesmo. E sucesso — comentou Sousa.

Neste domingo, o Flamengo circulou a bola, fez boas triangulações e criou oportunidades. Só que não soube concluí-las. Das 17 finalizações da equipe, sete foram defendidas por Gatito. Das outras dez, nove foram para fora e uma acertou a trave. Isso sem contar as oito vezes em que um jogador esteve impedido. Como no gol anulado de Gabi, no primeiro tempo. A revisão do VAR gerou reclamação do próprio atacante nas redes sociais. O questionamento foi sobre a precisão da pausa do vídeo para analisar o lance. A CBF divulgou os áudios e imagens da marcação.

Ao invés da arbitragem, o maior drama do Flamengo é quando perde a bola. O time segue lento na transição defensiva e dá espaços para o adversário. Além dos erros individuais, que se repetem. Ontem, Castro percebeu que as costas dos laterais rubro-negros eram o caminho para seu time. E soube aproveitar. Aos 6 da etapa final, Diego Gonçalves recebeu pela esquerda e deixou Erison em boas condições. Arão tentou dar o bote e errou. O “Toro” então aproveitou o espaço dado por David Luiz, que não se aproximou para o combate, e soltou sua bomba na direção de Hugo. O goleiro optou por defender com uma mão apenas e não segurou.

O Flamengo também se volta para a Copa do Brasil. Na quarta, recebe o Altos. O rubro-negro venceu o primeiro jogo por 2 a 1.

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