Análise: Empate dos EUA com País de Gales reflete timidez de americanos em estreia

Existe uma falta de confiança que puxa o futebol da América do Norte para trás. Mexicanos sofrem com isso demais, um complexo de inferioridade que bate forte a cada quatro anos, em Copas do Mundo. Os Estados Unidos, que não ligam tanto para o esporte quanto os vizinhos do sul, mostraram um pouco disso na partida de estreia no Mundial. Mesmo melhores do que o País de Gales, ficaram tímidos com a vantagem mínima no placar. Tanto que acabaram punidos com o gol de empate.

Não que os EUA sejam favoritos a alguma coisa e apenas dependam de uma força mental maior para deslanchar. A seleção tem limitações e poucas chances de ir além das quartas de final - sim, o chaveamento permite os americanos sonharem com um adversário não muito forte nas oitavas. Mas para isso precisam se impor dentro do próprio grupo primeiro.

País de Gales, por sua vez, parece ser mais ciente de suas capacidades. Uma das seleções mais fracas da Copa do Mundo, classificada em parte graças aos adversários mais fracos que enfrentou ao longo das Eliminatórias, entrou em campo contra os EUA com uma linha de cinco zagueiros. Bem recuada. E segurou o ataque americano com razoável tranquilidade.

Ainda assim, os EUA eram melhores. Conseguiram abrir o placar quando a linha defensiva galesa subiu e deu espaços para o ataque americano jogar. Pulisic, melhor jogador da equipe, deu o ar da graça na sua primeira Copa do Mundo e conseguiu passe na medida para Timothy Wear abrir o placar.

Depois disso, País de Gales abriu mão da defesa tão fechada. Passou a jogar com quatro jogadores atrás e foi ao ataque com muita dificuldade para trocar passes, articular jogadas. Ia apenas à base da vontade que move o país, de volta às Copas do Mundo depois de 62 anos.

Mas em vez de aproveitar o desespero adversário, os americanos foram pouco incisivos. Nem ao menos para recuar um pouco mais as linhas, atrair os galeses e tentar matar a partida no contra-ataque. Foi uma equipe sem inspiração à espera da passagem dos minutos. Acabaram vendo Gareth Bale converter o pênalti que ele mesmo sofreu antes disso.

As duas seleções brigam pelo segundo lugar do Grupo B - a Inglaterra deve avançar sem maiores dificuldades. Se conseguirem tirar pontos dos ingleses, ótimo. Se não, a vaga nas oitavas de final ficará com quem conseguir ser mais incisivo contra o Irã. Os EUA têm mais qualidade para isso. Mas precisam deixar a timidez de lado.