Análise: Erros naturais atrapalham Fluminense contra Nova Iguaçu, mas reforços deixam bons sinais para Fernando Diniz

É sempre importante enfatizar para o torcedor que há uma constatação óbvia: o futebol não é videogame. No Fifa, pode dar certo escalar todos os reservas e a equipe seguir fluindo naturalmente. Mas isso não costuma acontecer na vida real. Ainda mais no início de um Campeonato Carioca, com apenas duas semanas de temporada e em um esquema tão complexo como o de Fernando Diniz. Isso ajuda a entender a magra vitória por 1 a 0 sobre o Nova Iguaçu, nesta terça-feira.

Diniz fez algo que não é comum: escalar uma equipe inteiramente reserva. Mesmo quando quer poupar atletas, prefere mesclar. Ou tirar apenas quem não está nas melhores condições. Vê-lo optando por 11 reservas é algo que não foi visto nem na primeira passagem pelo clube. Causa estranheza em quem vê e mais ainda entre os jogadores. O próprio treinador admitiu que os jogadores sentiram essa dificuldade.

— Evidentemente que tivemos algumas falhas de entrosamento, parte técnica e física, mas quero ressaltar e dar os parabéns para os jogadores porque das coisas que combinamos eles cumpriram o principal. Por isso conseguimos vencer. É sempre difícil jogar contra essas equipes bem treinadas e bem dispostas. O treinador do Nova Iguaçu tá de parabéns. Superamos as dificuldades da temporada com muita vontade — declarou Fernando Diniz.

— Os jogadores se entregaram de sobremaneira na marcação e eles (Nova Iguaçu) tiveram poucas chances de marcar. Em um erro ou outro nosso... Teve o chance de muito longe e uma cabeçada. De resto, não cedemos praticamente nada, como contra o Resende. Temos que continuar assim, se dedicando ao máximo, porque as outras coisas a gente vai adquirir ao longo dos treinamentos e dos jogos — completou o treinador.

Superado isso, as boas notícias aparecem como ponto positivo na vitória por 1 a 0. Em especial, Lima. O meia se destacou não apenas pelo golaço marcado no Maracanã, mas por ter se provado eficiente em diversas funções táticas. Diante do Resende, atuou mais avançado. Diante do Nova Iguaçu, esteve mais recuado. Foi bem em ambas as atuações.

Quem também demonstrou potencial foi Giovanni Manson. Ao substituir Michel Araújo, trouxe qualidade para o meio-campo e arrancou bons dribles e algumas finalizações. também participou do lance que levou a expulsão de Bruninho, do Nova Iguaçu. Se seguir teno boas atuações, pode ser o reserva imediato de Paulo Henrique Ganso.

Entre os outros atletas, Keno mostra que não deve demorar para ser titular do Fluminense. Não foi tão efetivo como na primeira rodada, mas novamente chamou a responsabilidade e foi o principal alvo da marcação do Nova Iguaçu. Seus dribles terão que se conectar com o esquema tático de Fernando Diniz para ser mais efetivo.

Os laterais Guga e Jorge não encheram os olhos e também não comprometeram. Mesmo caso do zagueiro Vitor Mendes. As semanas de treinamento serão decisivas para o treinador poder avaliá-los.

Com a vitória, a segunda em dois jogos, o Fluminense se manteve com 100% de aproveitamento e está na segunda colocação do Campeonato Carioca, atrás do Flamengo no saldo de gols. Os quatro primeiros colocados avançam para as semifinais da competição.