Análise: faltam instinto e jogo 'matadores' para o Vasco escapar do rebaixamento sem sustos

Bruno Marinho
·2 minuto de leitura
Código 19 / Agência O Globo

Existem casos de times que plantam no fim de uma temporada turbulenta sementes que geram frutos no ciclo seguinte. Um exemplo clássico é o Fluminense de 2009, que evitou um rebaixamento que parecia certo para conquistar o Campeonato Brasileiro de 2010. A despeito da qualidade daquela equipe, houve a construção de um espírito na adversidade que seguiu guiando os passos do Tricolor quando a maré virou.

O Vasco que luta para permanecer na Primeira Divisão atualmente não consegue construir um espírito "matador", de sobrevivente, apesar de todos os esforços que Vanderlei Luxemburgo faz para construir um bom ambiente entre os jogadores. Ele existe, mas não evoluiu para o passo seguinte, a mentalidade vencedora.

Neste domingo, antes mesmo de Leandro Castan ser expulso e comprometer o fim da partida contra o Bahia, o Vasco não teve o ímpeto necessário para se impor dentro de São Januário e vencer o jogo que foi, durante dias, tratado interna e externamente como uma "final de campeonato".

Não é uma falta de vontade. É uma falta de ousadia, é a supremacia da cautela sobre a determinação em vencer a partida e dar um passo gigante para garantir a permanência na Primeira Divisão.

Taticamente, o time não apresentou nada de novo, apesar do tempo de treino em Atibaia (SP), onde o Vasco ficou concentrado para o jogo. Cano ficou isolado na frente em vez de ter com quem tabelar, fazer o trabalho de pivô. O avanço das laterais, especialmente Léo Matos, foi novamente uma boa arma, mas que esbarrou nos erros no momento do último passe. Martín Benítez não esteve bem como em outras partidas, o que dificulta a vida da equipe.

A falta de ousadia se dá na escalação de dois volantes que jogam praticamente em linha. Colo Gil ainda tem alguma liberdade para chegar mais próximo da grande área, mas não o faz. Com uma equipe espaçada, não existem triangulações e, consequentemente, fica mais difícil quebrar a linha adversária.

Escapar do rebaixamento sem essa gana para vencer poderá ser um processo bem mais doloroso do que o necessário. O Vasco, sob o comando de Luxemburgo, já teve faca e queijo nas mãos pelo menos duas vezes para garantir pontos que trariam alívio na classificação: contra o Coritiba e o Bahia, ambos dentro de casa. Mas não ha arrancada à vista e, sem ela, a confirmação de que muito pouco deste time poderá ser aproveitado em 2021 para que o time tenha o salto de qualidade que a torcida tanto espera.