Análise: Fla-Flu morno marca fim da fase inicial do Carioca para Flamengo e Fluminense, que tiram lições distintas

Rafael Oliveira
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O primeiro Fla-Flu do Carioca foi um clássico morno, quase frio. Bem ao estilo do que foi o começo de campeonato dos dois clubes, que deram férias aos seus principais jogadores nos últimos dias. A vitória por 1 a 0 do Fluminense sobre os garotos do Flamengo esteve longe de reproduzir a partida, digna de um empate sem gols. Mas, no fim das contas, premiou a estratégia tricolor de antecipar a volta dos reservas do elenco principal. A partir de agora, a dupla deve jogar com força máxima. E fica a esperança de que seus próximos compromissos encham mais os olhos do torcedor.

Aiinda que suada, a vitória foi de extrema importância para os tricolores. Afinal, foi a primeira deles na competição. Agora com três pontos, deixaram a lanterna e subiram para a oitava colocação. No próximo sábado, voltam a campo contra o Bangu, provavelmente já com Fred, Nenê & cia para comandar a reação na tabela.

O Flamengo, por sua vez, começará a ter os jogadores do elenco campeão brasileiro a partir da próxima sexta, contra o Resende. Mas, ao contrário dos tricolores, não saiu tanto no prejuízo com o uso de um time alternativo. Os garotos da base sofreram sua primeira derrota no Carioca. Com seis pontos, estão na terceira colocação. E puderam mostrar suas virtudes para o técnico Rogério Ceni, que acompanhou o clássico no Maracanã e assume o comando a partir da próxima rodada.

Quem termina este início de Carioca com saldo negativo é o Fluminense. Menos pelos resultados e mais pela atuação, principalmente no clássico deste domingo, que marcou a estreia de Roger Machado. Apesar de vitorioso, o time não mostrou a que veio. Defendeu-se mal e atacou pior ainda. Extremamente passivo, não conseguiu apresentar uma ideia de jogo. O novo treinador terá trabalho pela frente.

O jogo

A impressão deixada no primeiro tempo foi de que era o Flamengo que jogava com atletas do elenco principal enquanto o Fluminense atuava com garotos. Pois o que se viu foi o time rubro-negro à vontade e muito mais agressivo do que o adversário. Não é exagero dizer que os tricolores apenas viram o rival jogar. Os números demonstram isso: foram oito finalizações da equipe de Maurício de Souza contra apenas uma dos comandados de Roger Machado. Em posse de bola, a diferença também foi grande: 62% contra 38%.

Para não dizer que o Fluminense não teve nenhum mérito, pode-se dizer que ele soube se fechar bem. Mas pecou pelo excesso de passividade. Ao invés de marcar mais à frente, deu espaços para o Flamengo se aproximar e só se defendia quando a bola já estava rondando a área. Para piorar, não conseguia encaixar a transição ofensiva.

Para se aproximar da meta do rival, os rubro-negros precisaram explorar os lados do campo. Tiveram mais sucesso pela esquerda, com Michael e Ramon. Mas os erros na hora do passe decisivo, aquele para quem está dentro da grande área, prejudicaram a conclusão das jogadas. Ainda assim, teve duas grandes chances: com Muniz, logo no primeiro minuto; e aos 36, numa chute perigoso de Hugo Moura de fora da área.

Os gritos de "Nós estamos fazendo o que eles querem!" e "Pelo amor de Deus!", proferidos por Roger no segundo tempo, são o melhor indício de que o Fluminense voltou do intervalo com os mesmos problemas. O técnico fez mudanças no sentido de dar mais agilidade ao time, mas não resolveu a falta de transição. Embora tenha diminuído a intensidade e recuado a marcação, o Flamengo continuou dono do jogo.

O 0 a 0 parecia encaminhado. O Flamengo já não ameaçava com o mesmo ímpeto. O Fluminense, só conseguia levar perigo na bola parada. Até que, num lance aparentemente despretensioso, a experiência dos tricolores fez a diferença. Aos 38, ele viu o goleiro Gabriel Batista adiantado e arriscou uma bomba de longe que foi parar no fundo das redes. Um gol carregado de ironia. Afinal, saiu dos pés daquele que vinha sendo o pior jogador em campo e deu a vitória para o time que menos a procurou. Mas premiou a estratégia tricolor de apostar num time mais cascudo.