Análise: Flamengo faz valer o peso de um elenco estrelado e agora bem administrado

Embora não tenha colocado em campo como titular nenhum de seus últimos reforços, o Flamengo fez valer o peso de um elenco estrelado e bem administrado na vitória incontestável sobre o Corinthians. Diferentemente do adversário das quartas de final da Libertadores, o rubro-negro carioca não tinha nenhuma baixa significativa no elenco além de Bruno Henrique e Rodrigo Caio, que se recuperam de problemas mais graves. E mandou a campo a sua equipe base em plena intensidade, depois de descanso de todos no fim de semana pelo Brasileiro, enquanto os donos da casa mesclaram a equipe e desta vez não puderam utilizar Willian, por lesão, e Renato Augusto, que é baixa há mais tempo para o técnico Vitor Pereira. No começo do jogo, ainda perderam Maycon, que sentiu dores.

A recuperação promovida por Dorival Júnior no Flamengo passa muito pela confiança dada aos jogadores. Passa também pela forma simples de colocar em campo os jogadores em suas funções preferidas. Só não se pode esquecer dessa administração de elenco feita com base em muita conversa, ideias que nem sempre tem tempo para serem implementadas, e com aposta cega no trabalho de controle de carga que prevê rodízios, minutagem contada, e utilização gradual de peças que vão se somando ao grupo. Mais uma vez o Flamengo foi a campo com um time titular base. Que já havia goleado o Tolima na fase anterior da Libertadores, e passou pelo Atlético-MG na Copa do Brasil.

Mesmo com a chegada de reforços como Vidal e Cebolinha, Dorival sustenta a mesma formação e deixa o time com uma sintonia que há muito não se via. Aliado ao trabalho de recuperação física, a intensidade voltou a ser marca registrada de um Flamengo que se arrastava no primeiro semestre com os mesmo jogadores. Individual e coletivamente, o elenco tem sido capaz de executar ideias distintas e respeitar trocas entre os jogos e no decorrer das partidas, pois nota um desempenho crescente. O que falar de Éverton Ribeiro e Gabigol, que há alguns meses eram carta fora do baralho de Tite na seleção brasileira, e voltaram a atuar em alto nível? Ou Pedro, que enfim teve sequência na ausência de Bruno Henrique e pôde mostrar toda sua versatilidade e faro de gol?

Até mesmo Arrascaeta, considerado o craque do time, oscilou no começo da temporada, sobretudo quando serviu à seleção uruguaia. Agora, também preservado em alguns momentos, mostra uma resposta física bem melhor e consegue manter a intensidade tão cobrada por Paulo Sousa no começo da temporada. Ou seja, os mesmos jogadores, propostas muitas vezes parecidas, e outra dinâmica em campo. O Flamengo soube sofrer nos minutos iniciais diante do Corinthians e criou alternativas para uma saída de bola com passes mais longos, através de David Luiz, outro que está em grande forma. Teve problemas físicos em alguns momentos, mas o revezamento na zaga entre os jogos de Copa e do Brasileiro proporcionou um ganho para todos os zagueiros. Também ajuda a manter Filipe Luis em campo por 90 minutos e focar em trabalhos de força quando poupado na sequência. Nesse contexto, até o limitado Rodinei "voa" como um "avião", forma pela qual foi apelidado por Vidal. Os reforços, diga-se, serão integrados aos poucos, como o próprio chileno tem provado. Dorival tem um plano, costumam brincar os rubro-negros nas redes sociais. E ele não está sozinho.

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