Análise: Flamengo vence Palmeiras na estreia do Brasileiro, mas os dois confirmam condição de principais candidatos ao título

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Num campeonato de 38 rodadas, apenas a primeira não permite leituras do futuro. Mas pode trazer pistas. E Flamengo e Palmeiras entregaram elementos suficientes para confirmar as apostas que colocam os dois clubes, mais uma vez, entre os principais candidatos ao título. Com a vitória por 1 a 0, os rubro-negros levaram os primeiros três pontos. Mas mesmo a torcida paulista tem motivos para ficar esperançosa em relação à participação de sua equipe no Brasileiro.

O placar magro não diz o que foi o jogo. Teve uma disputa de alto nível, padrões de jogo bem definidos e chances criadas. Não houve mais gols por mérito dos goleiros, que se destacaram com defesas difíceis e reflexo apurado.

- O time está rendendo sim. Talvez pecando na hora de botar a bola para dentro. Mas vem se comportando bem. As vezes as pessoas preferem falar pelo lado negativo do que por estarmos sempre disputando títulos. A gente queria ganhar todos. Mas é importante estarmos sempre disputando - defende Weverton.

- Quem acompanhou o jogo sabe que fizemos um excelente primeiro tempo. Se a bola tivesse entrado o jogo teria sido outro. O Diego (Alves) fez exclentes defesas. Futebol é isso. Ganha quem faz mais gols, e a gente não conseguiiu fazer.

O jogo também, claro, traz lições que precisam ser assimiladas. Cada equipe fez um bom e um mau tempo. Com seu esquema com três zagueiros, o Palmeiras anulou o ataque rubro-negro na primeira etapa e aproveitou muito bem as oportunidades de contra-ataque. Mas caiu de rendimento drasticamente na etapa final. Perdeu seu poder de contra-ataque e não conseguiu mais segurar o rival.

A evolução do Flamengo foi no sentido contrário. O time praticamente não conseguiu criar nos primeiros 45 minutos. Sentiu a ausência de Gabigol e a má participação de Diego e de Gerson na criação (mais uma vez). Na etapa final, este cenário mudou. Quebrou as linhas de marcação do Palmeiras e não deixou mais o adversário ter grandes chances para contra-atacar.

- Isto aqui (apontando para o patch de atual campeão, selado na camisa) foi por merecimento. A gente vai entrar este ano novamente querendo ganhar outro titulo deste - afirmou Bruno Henrique.

A vitória não só faz o Flamengo começar o Brasileiro já com três pontos como proporciona um alívio num momento em que o time terá uma folga na tabela. Por ter quatro atletas cedidos às seleções principal e olímpica, seus jogos desta semana foram adiados. O próximo compromisso será apenas no dia 10 de junho, contra o Coritiba, pela partida de ida da terceira fase da Copa do Brasil. Já os palmeirenses voltam a campo na quinta, quando visitam o CRB, também pela Copa do Brasil.

O jogo

No confronto dos dois elencos mais qualificados do país, a maior embate foi entre quem estava do lado de fora do campo. O duelo tático entre as propostas de Rogério Ceni e de Abel Ferreira ditou a tônica do confronto no Maracanã. No primeiro tempo, melhor para o Palmeiras. Jogando com três zagueiros e as linhas defensivas bem compactadas, o ferrolho paulista pareceu instransponível para o Flamengo. Nos primeiros 45 minutos, os donos da casa só conseguiram finalizar duas vezes a gol. Ainda assim, sem muito perigo.

Já os palmeirenses, bem a seu estilo, apostaram em jogadas verticalizadas. E sempre tendo Roni como alvo. No esquema de alas de Abel, as melhores jogadas saíram pela direita, aproveitando a dificuldade de Filipe Luis em encaixar a marcação.

Ao contrário dos rubro-negros, os paulistas foram muito mais incisivos, o que resultou num dos principais duelos particulares dentro de campo. Roni e Diego Alves foram os protagonistas do jogo. Com ao menos duas defesas difíceis de finalizações do atacante, o camisa 1 do Flamengo levou a melhor.

Praticamente nulo pela direita, o time de Ceni só avançou pela esquerda, com Felipe Luis e Bruno Henrique. O atacante foi praticamente a única opção do cariocas que conseguia quebrar as linhas de marcação palmeirense. Mas não teve vida fácil quando Abel identificou o perigo e segurou Gabriel Menino mais atrás para conter o adversário.

A ausência de Gabigol também contribuiu para esta dificuldade dos rubro-negros. Segundo o clube, ele sentiu indisposição estomacal na noite anterior. Sem seu camisa 9, o Flamengo ficou sem um jogador que flutua no terço final do campo. Pedro, seu substituto, está longe de ficar preso no centro. Mas não consegue oferecer a mesma mobilidade que seu companheiro.

Na etapa final, o cenário se inverteu. E foi a vez de Ceni dar um nó no rival. O Flamengo acelerou o jogo intensificando a troca de passes e deixou de dar o rebote para o adversário. Sem os contragolpes palmeirenses, o jogo passou a ser do ataque rubro-negro contra a defesa paulista.

Se Diego Alves conseguiu parar as tentativas do adversário no primeiro tempo, Weverton até tentou fazer o mesmo no segundo. Mas quando Bruno Henrique encontrou o corredor aberto pela esquerda e cruzou para a área, aos 29, Pedro se esticou num carrinho e pôs o Flamengo em vantagem.

Importante destacar que Abel também contribuiu para a queda de produtividade de seu time. Ao tirar Felipe Mello e Patrick de Paula, deixou o Palmeiras sem jogadores que sabem fazer bem a ligação direta, principal arma da equipe. Melhor para Ceni e para o Flamengo.

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