Análise: Flamengo 'vira a chave' e reacende brilho coletivo e individual a duas semanas da Libertadores

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Dizer que o jogo contra o São Paulo ficou fácil para o Flamengo após a expulsão de Caleri é não reconhecer que, em 90 minutos, se ganha desde o primeiro segundo. E foi essa mudança de espírito assim que a bola rolou no Morumbi pelo Brasileiro que chamou a atenção, sobretudo de olho na final da Libertadores. A equipe comandada por Renato Gaúcho nem tinha força máxima em campo, mas tinha concentração, foco, disposição, organização, e, sim, tática.

Tática essa que pode muito bem se repetir no jogo com o Palmeiras pelo torneio sul-americano. Com uma linha de ataque veloz, alimentada por dois meias com energia renovada, e uma defesa segura, o Flamengo foi outro. Virou a chave das ultimas atuações insossas e amassou o São Paulo com tremenda confiança.

A vitória por 4 a 0 dá um gás na preparação da equipe para a Libertadores e coroa o bom trabalho de controle de carga da comissão técnica. Entre rodízios e atletas suspensos, o time cresceu individual e coletivamente. Teve um índice de desarmes pouco visto na temporada, acima de 70%. E foi essa postura veloz, de movimentação e técnica, que deixou o jogo fácil. Mais ainda depois de ficar com um homem a mais.

É interessante notar como a variável Michael já se tornou uma arma fatal do Flamengo ao lado de Gabigol e Bruno Henrique. E como a dupla titular incorporou a velocidade e poder no um contra um do baixinho para saber ser coadjuvante quando necessário. No primeiro gol, a fusão entre Gabi e Bruno Henrique foi a sintonia fina de um passe de primeira após roubada de bola de Andreas. No segundo, Michael entrou em cena e "empurrou" Bruno para a pequena área, onde sabe finalizar.

Essa pressão na saída de bola e após perdê-la, ainda na intermediária de ataque, foi fundamental. E será também contra o Palmeiras. Será possível fazer a mesma marcação com Arrascaeta voltando de lesão? Eis a questão que levanta a possibilidade de Michael ser titular ou não. Mas com ele aberto, o time ganha na parte física e se torna mais perigoso. Com Michael e Arrascaeta, quem sobraria? Há pouco tempo para testes.

O terceiro gol sobre o São Paulo ilistra fase iliuminada do novo artilheiro do Brasileiro, com 13 gols. Em arrancada ainda no primeiro tempo, deu toque seco para dentro, e arrematou no ângulo oposto. Jogada que se repete e ninguém consegue parar. Basta acertar o pé.

Mas além do ataque, que ficou mais reativo na etapa final, vale destacar a postura defensiva do Flamengo. Com Rodrigo Caio e David Luiz ainda em campo, foi um time de linhas mais adiantadas. Em que os zagueiros exibiam grande poder de passe entre elas. Assim, o Flamengo era mais vertical, errava pouco, e circulava bem menos a bola até achar os espaços para criar as jogadas.

Quando a bola chegava ao ataque, Andreas e Éverton Ribeiro coordenavam movimentações muito bem trabalhadas com laterais e atacantes. E a defesa do São Paulo se abria como há muito o Flamengo não conseguia fazer com adversários mais retrancados. Na transição defensiva, o time deu apenas um vacilo, que o adversário desperdiçou, mas a proteção de Arão funcionou bem.

No segundo tempo, houve mudanças já desde o intervalo. Mesmo assim o Flamengo conservou a postura aguerrida e em cima do adversário. Após a saída de Gabigol, aos 20 minutos, a pressão diminuiu. As trocas vieram e a bola circulou mais antes de Michael acelerar novamente para o quarto gol. De novo, da esquerda, criou e obrigou Bruno Henrique a entrar na área para disputar a bola. O atacante ganhou a dividida perto da lateral, e devolveu o passe para Michael ampliar.

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