Análise: Flamengo x Athletico é duelo de ataque contra defesa e só tem Felipão como vencedor

Em tempos de invasão de técnicos estrangeiros e de torcedor mais atento e exigente em relação à atuação de seus times, Felipão pode parecer um estranho nesse meio. Mas o jogo no Maracanã mostrou por que o treinador de 73 anos segue na elite do futebol nacional. Há quatro décadas na função, ele sabe muito bem que o resultado se sobrepõe a qualquer exibição de gala. Muitos dirão que seu Athletico praticou antijogo contra um envolvente Flamengo. Mas quem saiu em vantagem com o 0 a 0 pela partida de ida nas quartas de final da Copa do Brasil foi o clube paranaense.

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Não que o Flamengo não tenha chances de levar a melhor em Curitiba, daqui a três semanas. Mas a verdade é que o Athletico passou pela etapa teoricamente mais difícil: sobreviver a um adversário superior tecnicamente na casa dele. Na Arena da Baixada, num gramado (sintético) em que tem mais familiaridade que o time carioca e com o apoio de sua torcida, tem mais chances de vencer do que no Maracanã. Um detalhe: com Felipão, o rubro-negro paranaense está invicto em seu estádio. Vale lembrar que, na volta, qualquer empate leva a decisão da vaga para os pênaltis.

— Faltou a gente ser mais eficaz na partida. Tivemos as melhores chances do jogo, mas não colocamos bola dentro do gol. Agora vai ser um jogo bem difícil lá na casa deles. Mas a gente espera sair de lá vencedor — comentou Pedro, que pela primeira vez desde que voltou a se destacar atuou diante de Tite e sua comissão técnica.

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Embora bem-sucedida no Maracanã, claro que a estratégia de Felipão é passível de olhares tortos. Primeiro porque se limitou a destruir. O Athletico abriu mão de jogar para se defender, o que os números da partida deixaram claro: foram 22 finalizações do Flamengo contra apenas quatro. Os donos da casa tiveram 74% de posse e trocaram quase o triplo de passes do que os paranaenses (689 contra 238).

Além disso, houve momentos em que o gol do Flamengo não saiu por falta de sorte ou de pontaria, não por mérito do Athletico. Só Gabigol acertou o travessão e isolou um chute diante da meta. E Pedro e Arrascaeta cabecearam rente à trave uma vez cada.

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O plano do Athletico foi claro e simples: superlotar sua área pra não deixar o adversário criar e finalizar com facilidade. O Flamengo não jogou muito diferente do que tem feito em seus últimos compromissos. Girou a bola, empurrou o adversário próximo à sua área e pressionou para recuperar rapidamente a posse sempre que foi desarmado. Inicialmente, Rodinei e Everton Ribeiro fizeram as jogadas pelo lado direito. Pelo outro lado, Filipe Luís e João Gomes. Arrascaeta e, principalmente, Gabigol atuaram mais móveis. E Pedro, mais uma vez, foi a principal referência na frente. A liberdade no meio foi tanta que David Luiz e Léo Pereira atuaram como armadores em boa parte do tempo.

Diante das poucas chances claras criadas na primeira etapa, Dorival Junior não tardou a mexer na volta do intervalo. Mas escolheu os jogadores errados para as entradas de Vidal e Cebolinha: Ribeiro e João Gomes, que fizeram bom primeiro tempo e eram figuras centrais do esquema de jogo. À medida que o tempo avançou, as investidas passaram a ser mais na base do abafa do que de uma construção bem planejada. E, já cansado, o Flamengo ainda correu alguns riscos atrás. Mas poucos, porque o Athletico não foi ao Maracanã para vencer.

No fim, até os nervos já estavam perdidos no time carioca. Depois de Gabigol receber amarelo por chute em Fernandinho e Arrascaeta levar a mesma punição por um carrinho desleal em Erick, David Luiz acabou expulso por reclamação no último minuto.

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