Análise: Fluminense cria identidade com maturidade defensiva e colhe frutos da boa fase de Biel

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Fala-se muito sobre a criação de equipes com identidade no futebol brasileiro. Ter um estilo de jogo claro, bem executado e que leve à vitória — mesmo que não agrade a todos os torcedores. Tijolinho por tijolinho, é assim que Roger Machado e seus comandados vão desenvolvendo a sua cara no Fluminense. A vitória por 1 a 0 diante do Cuiabá ontem, em São Januário, foi um exemplo de maturidade defensiva e ofensiva tricolor, apesar do horário de 11h (de Brasília), que atrapalhou o andamento da partida.

Qualquer análise técnica, tática ou física precisa ser relevada devido ao forte calor que os atletas foram expostos. Jogar neste horário é constantemente alvo de crítica por parte de jogadores, treinadores e fisiologistas. No Rio de Janeiro então, é quase impraticável. Claro, Roger Machado reclamou sobre o assunto.

— Foi um jogo difícil, num horário ruim, que o adversário está mais habituado. Às vezes me parece que o futebol brasileiro pensa que está em Londres, no inverno de Londres, jogando às 11h da manhã. Uma coisa é você jogar às 11h da manhã em Santa Catarina, no Paraná, no Rio Grande do Sul, no inverno. Outra coisa é jogar no Rio de Janeiro, no Nordeste — criticou.

Ainda sim, o Fluminense soube se virar. A alta temperatura afetou os mais veteranos, como o desgastado Fred, que foi substituído aos 15 minutos do segundo tempo por Abel Hernández. Mesmo assim, o tricolor carioca saiu de campo com a vitória por 1 a 0, com gol marcado pelo jovem Gabriel Teixeira. Biel, aliás, tem se apresentado como uma das grandes notícias para o decorrer da temporada.

Dos 24 jogos disputados pelo Fluminense até aqui, todos tiveram o nome de Gabriel Teixeira em comum. Do elenco tricolor, o atacante de 20 anos é o único a participar de todos — seja de titular, reserva ou relacionado. O tento de Biel mostra a sua evolução individual: apostou na velocidade para vencer o zagueiro e bom posicionamento para completar às redes. Dentro de campo, se mostrou mais maduro nas tomadas de decisão, uma das reclamações no início da temporada. Está melhor na hora de atacar, correr e defender.

— Fico muito feliz por jogar. Vou procurar sempre jogar mais. Tivemos as melhores chances — declarou.

Outro que repetidamente está tendo atuações impressionantes é o volante Yago Felipe. Mais uma vez foi um jogador comprometido com o coletivo e mostrou uma disposição impressionante — mesmo com o calor. Foi dele a assistência para o gol de Biel.

Defesa melhora

Defensivamente, foi terceiro jogo seguido do Fluminense sem sofrer gols. A primeira vez desde que Roger Machado assumiu. A entrada de Samuel Xavier na lateral-direita e a permanência de Egídio na lateral-esquerda trouxeram equilíbrio para o setor, que está mais seguro. Um ponto de destaque também é o zagueiro Manoel, que não diminuiu o nível da defesa mesmo após a convocação de Nino para a seleção olímpica.

Outra característica clara deste Fluminense com identidade é como se portar com e sem a bola. Pode incomodar ver que o Cuiabá teve mais o controle das ações do que o tricolor em boa parte da partida, mas era uma posse sem eficência. Tirando o tento impedido próximo do final do jogo, Marcos Felipe foi pouco assustado. Por outro lado, as construções ofensivas do Fluminense levavam perigo.

Os próximos dois jogos do Fluminense serão contra o Red Bull Bragantino. Na quarta-feira, as equipes se enfrentam no jogo de volta da Copa do Brasil, depois de a equipe carioca vencer a ida por 2 a 0. No próximo domingo (13), eles jogam pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro.

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