Análise: Fluminense passeia contra o Goiás, e a sorte de Martinelli contrasta com o azar de Nenê

Igor Siqueira
·4 minuto de leitura

Há algo de especial entre o Fluminense e o Estádio Nilton Santos. Na mesma casa em que experimentou as melhores memórias do começo da década passada, como os títulos brasileiros, o Fluminense teve contra o Goiás aquele que, talvez, tenha sido seu melhor primeiro tempo no Brasileirão 2020. O tricolor construiu a vitória por 3 a 0 ainda no primeiro tempo. E foi pouco.

“Desalojado” mais uma vez por causa da final da Libertadores no Maracanã, o Fluminense poderia até ter alcançado uma goleada elástica, tamanhas as chances criadas na primeira etapa. Mas tão importante quanto uma atuação desse porte no atual estágio da Série A (faltam cinco jogos) é o que a vitória representa para a classificação. O Flu subiu ao quinto lugar e abriu uma gordura de oito pontos dentro da zona de classificação à Libertadores.

Embora a vaga ocupada hoje ainda não seja na fase de grupos do torneio continental, a situação fica ainda mais confortável com a perspectiva de que o atual G7 vire G8. O Palmeiras ganhou a Libertadores e ainda está na final da Copa do Brasil com o Grêmio, ambos integrantes da parte de cima da tabela.

Martinelli certeiro

Nino foi quem abriu o placar, com uma cabeçada certeira. Mas Nenê e Martinelli são os dois principais personagens de uma partida resolvida facilmente pelo Fluminense. Enquanto Martinelli foi quem fez os dois gols seguintes do Fluminense, o que impressionou no caso de Nenê foi a maneira como ele deixou de balançar as redes. Requinte de crueldade do destino.

Martinelli foi titular pelo quarto jogo seguido. Aos 19 anos, parece ter convencido Marcão de que é muito útil ao meio-campo, dando leveza e dinamismo ao setor.

Martinelli estava iluminado. E com dose alta de sorte. O primeiro gol dele como profissional nasceu após um chute a 29m do gol, que atingiu 91km/h. O tiro ainda explodiu na trave, bateu no goleiro Tadeu antes de entrar. O segundo golpe de sorte/competência se deu após trama iniciada por Egídio e um chute de Martinelli que só entrou porque desviou na zaga do Goiás.

Os gols coroam a temporada de descoberta de Martinelli no time de cima. Ele chegou a Xerém em 2017, então com 16 anos, e em dezembro passado assinou contrato até o fim de 2024. Ou seja, está longe de poder sair de graça do clube.

Apesar de o Flu ter reduzido o ritmo no segundo tempo, Martinelli saiu mais do que satisfeito aos 35 minutos do segundo tempo.

O gol que Nenê não fez

Quanto a Nenê, dois lances se destacam, ambos relacionados a cobranças de falta.Primeiro, o meia do Fluminense acertou o travessão de Tadeu. Depois, os papéis se inverteram quando o goleiro do Goiás foi arriscar, aos 39 minutos do primeiro tempo, com o placar já em 3 a 0, uma cobrança de falta no ataque.

Não deu certo. Apavorado, Tadeu ainda afastou mal o rebote e gerou o contra-ataque do Flu. Nenê, antes da linha do meio-campo, chutou em direção ao gol. A crueldade foi que o quique no gramado aparentemente duro do Nilton Santos fez a bola passar sobre a trave. Se Nenê fosse Pelé (olha o absurdo!), a jogada provavelmente seria batizada de “o gol que Nenê não fez”.

— Até agora não acredito que ela bateu e subiu. Ia ser um gol incrível. Fiquei bem p... Mas o importante eram os três pontos — disse Nenê

O Fluminense de Marcão não é o mesmo de Odair Hellmann. Em relação a jogos anteriores, o desempenho contra o Goiás foi muito fora da curva. Nem parece aquele time que levou 5 a 0 para o Corinthians. O time goiano deu trabalho a adversários recentes porque ainda luta para não se afogar na zona de rebaixamento.

Olhando para os resultados, apenas, o aproveitamento com Marcão está muito próximo ao que o Fluminense tinha com Odair Hellmann. O treinador anterior deixou o cargo com 54,1% dos pontos conquistados no Brasileirão. O ex-auxiliar tem 51,8%. Logo, o Flu não perdeu a vaga na Libertadores de vista, apesar da mudança de comando.

Com a queda de rendimento do São Paulo de Fernando Diniz, dá para almejar um lugar no G4. Seria um feito e tanto.