Análise: Fluminense sai da Vila com empate amargo, mas que só foi possível pela ousadia premiada

Observar o Fluminense neste Brasileirão é ver um clube vivendo sempre no seu limite. A ousadia e a confiança excessiva são separadas por uma tênue linha. No empate em 2 a 2 com o Santos ontem, na Vila Belmiro, as duas estiveram presentes. Se a primeira ajudou o tricolor a buscar a virada, a segunda contribuiu para que o empate voltasse ao placar. No fim, o resultado foi justo.

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O Fluminense segue na terceira colocação, com 35 pontos, sete atrás do líder Palmeiras e com um série invicta de 12 jogos. Já o Santos vai a 27 pontos, na nona colocação.

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Entre os principais argumentos está que a Fifa chancelou um torneio "de moldes mundiais" na época. Mas por que? Vale a contextualização. Havia um temor na entidade pela derrocada da popularidade do futebol em escala global nos anos 1950. Tanto que, devido a Segunda Guerra Mundial, nenhum país que queria sediar a Copa do Mundo. O Brasil entrou na disputa e aproveitou a oportunidade.

Antes de ser ousado, o Fluminense vinha fazendo uma de suas partidas menos intensas justamente quando Fernando Diniz estava suspenso pelo terceiro cartão amarelo recebido. Seus gritos à beira do gramado servem para orientar, mas também para manter a atenção de seus jogadores durante os 90 minutos. Por mais que também grite, o substituto Eduardo Barros não tinha a mesma característica e intensidade. Marcão, da comissão técnica fixa, menos ainda.

A maratona de jogos que o Fluminense está enfrentando também cobrou seu preço. A boa notícia é que a semana será livre para o tricolor antes de voltar a campo, no próximo domingo, contra o Cuiabá. O tricolor passou longe de ser aquela equipe veloz, envolvente e dominante que o torcedor se acostumou a ver. Em contrapartida, o Santos de Lisca parecia disputando uma final. Mais ligado e melhor fisicamente, dominou o setor de meio-campo e dava poucos espaços na defesa. Compactação essa que atrapalhou muito a ideia de troca de passes do Fluminense.

Quem vê as estatísticas pode estranhar, por exemplo, que o alvinegro praiano deu apenas uma conclusão a gol durante todo o primeiro tempo. Exatamente o do gol marcado por Luiz Felipe, após cobrança de escanteio. Mas mesmo sem finalizar, o Santos era perigoso armando contra-ataques. A escolha de Lisca por dois pontas de velocidade incomodava os laterais tricolores, que não podiam subir tanto como em jogos anteriores. Carecia de uma solução.

Então, mesmo longe da Vila Belmiro, Fernando Diniz se fez presente. Ou Eduardo Barros se inspirou no treinador para fazer a troca que mudaria a partida. Ousada, diga-se. A saída do zagueiro Luccas Claro para a entrada do volante Martinelli. André passou a fazer a dupla de zaga com Nino, mas avançava tanto que por diversas vezes deixava o camisa 33 sozinho na linha defensiva. Assim, o Fluminense voltou para o jogo.

Aos 25 minutos, Matheus Martins sofreu pênalti de Sandry, que foi convertido por Paulo Henrique Ganso com extrema categoria. Na comemoração, ele imitou as baquetas de maestro, comemoração que fazia na época de Santos. Praticamente uma resposta as vaias recebidas desde o primeiro minuto quando tocava na bola.

Talvez essa confusão tenha ajudado ao Fluminense indiretamente. Na santistalogo no lance seguinte, Germán Cano foi lançado, dominou de costas e deixou para Jhon Arias acertar um belo chute de fora da área. Gol que deixou a vitória na mão do tricolor.

Então, a ousadia se tornou confiança excessiva. O Fluminense empilhou jogadores defensivos, mas não mudou a sua forma de jogar. Seguia querendo ter a bola mesmo sem os atletas que mais sabem controlá-la. Ficou exposto, até sofrer o gol de empate de Marcos Leonardo. Um contra-ataque quando o Fluminense vencia fora de casa. Evitável.

No apito final, a sensação foi de um resultado justo. Um melhor em cada tempo.

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