Análise: França assusta com repertório ofensivo vasto que remete a trunfos de Tite

A sequência de atuações ruins na já entediante Liga das Nações da UEFA e mais duros cortes por lesão, os mais sentidos, de Kanté, Pogba e Benzema, colocaram a capacidade da França de tentar o tricampeonato mundial em xeque. Mas o recado que os franceses deram na goleada sobre a Austrália sinalizou o oposto. Há um recital de alternativas ofensivas à disposição para a equipe de Didier Deschamps buscar novamente o título da Copa do Mundo.

O mais interessante, para quem acompanha o futebol da seleção brasileira, foi ver que as soluções encontradas por Deschamps foram muito semelhantes ao que Tite teve como trunfo ao longo desses seis anos à frente dos pentacampeões.

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Brasil de 2016 a 2018

A goleada por 4 a 1 começou com a participação importante de Rabiot, volante com boa presença de área, responsável por um gol e uma assistência. Forte fisicamente, bom na cabeçada, lembrou demais os avanços de Paulinho no ciclo passado da seleção brasileira. Quando ele sai da segunda linha do time e chega mais perto da área adversária, dá vantagem numérica importante para o time conseguir superar defesas. A dos australianos, mesmo depois de saírem na frente, foi facilmente batida.

Brasil de 2018 a 2021

Um dos segredos para a facilidade que a França encontrou para golear no Al Janoub foi a boa linha de quatro homens na frente. Theo Hernandez e Dembelé deram muita amplitude ao ataque francês. Isso obrigou os jogadores de defesa da Austrália ficarem mais espaçados. Como a equipe da Oceania jogou a partida com uma linha de quatro e não de cinco à frente do goleiro, a França abriu ótimos corredores. Entrou na área como quis.

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A subida do lateral-esquerdo para ocupar o ataque quando a França tinha a bola foi exatamente o que Tite pensou em fazer na seleção, especialmente com Renan Lodi. Acabou que o jogador não se firmou e a falta de jogadores com a mesma característica fez o treinador deixar a ideia meio de lado.

Brasil do Catar

Outra novidade na França que estreou no Catar, em comparação à maneira com que o time jogou na Rússia, foi Griezmann atuando como meia de criação clássico. Um "play maker". Ele teve liberdade para voltar até a intermediária e ocupar uma faixa de campo entre as duas linhas defensivas da Austrália.

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O recuo do atacante é um movimento muito parecido com o de Neymar. Até mesmo os motivos se assemelham. Fisicamente não possuem a mesma explosão de outros tempos. E suas seleções carecem de meias de criação mais potentes - a França perdeu nesse aspecto com o corte de Pogba.

Sua participação não foi tão decisiva, mas Griezmann ajudou a fazer o jogo fluir. E viu Mbappé desequilibrar com uma postura corporal quase displicente, às vezes. Quando quis, o camisa 10 voou. A França vem forte, mas perdeu o banco tão forte de antes com os cortes que teve por lesão. Se conseguir manter o time titular saudável e sem lesões, será difícil de ser batida no Catar.