Análise: de Ganso a Biel, Fluminense ganha boas opções para Libertadores após experiência no Estadual

Marcello Neves
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Uma boa notícia para o torcedor do Fluminense nesta temporada é saber que, até aqui, a equipe considerada reserva tem se mostrado equilibrada. Mesmo quando os titulares estão poupados — como ontem, quando o técnico Roger Machado visou preparar o elenco para viajar à Colômbia, onde enfrentará o Junior, pela Libertadores — a equipe seguiu competitiva. A vitória não veio no jogo de ida da semifinal do Campeonato Carioca, mas o 1 a 1 diante da Portuguesa traz boas impressões e novas opções antes da viagem rumo a Barranquilla.

Fluminense e Portuguesa voltam a se enfrentar no próximo domingo, no Maracanã, com o tricolor tendo a vantagem do empate para classificar à final. Até lá, o foco é a Libertadores. E a partida de hoje reflete no principal objetivo da temporada porque Roger Machado precisa estar atento aos pontos positivos e negativos que o jogo no Luso-Brasileiro evidenciou.

Primeiramente, o alto poder de fogo e baixa pontaria do ataque tricolor. Dá até para dizer que o Fluminense não venceu porque a bola não quis entrar, mas seria tirar a responsabilidade dos atacantes que não conseguiram cumprir o seu papel. Por isso, é errôneo dizer que o empate com a Portuguesa veio após atuação ruim. Pelo contrário. A maior lamentação é pela quantidade de chances desperdiçadas — e não pela falta delas.

A opção de Roger Machado de escalar Gabriel Teixeira trouxe velocidade ao ataque, que faltou diante do Madureira, na última rodada da Taça Guanabara. O quadrado com Ganso, Cazares e Abel Hernández fluiu bem e a rápida troca de passes entre eles foi o principal caminho encontrado pelo Fluminense para pressionar, sendo parado pela boa atuação do goleiro Neguete, da Portuguesa.

Apesar de ter marcado o gol de empate, Abel empilhou chances desperdiçadas, mas contribuiu positivamente no jogo físico. Fez bom trabalho de pivô, venceu no corpo e abriu corredores. Ele e Biel, principalmente, são boas opções para mudanças táticas diante do Junior Barranquilla.

— Eu só consigo escalar 11. Eu acho que é pouco avaliar a atuação do Biel só como boa. Ele teve uma excepcional atuação, pela beirada, com finalização. No finalzinho ele estava mais desgastado e coloquei atrás do centroavante. Achei que a equipe criou bem. A gente não imaginava facilidade e creio que o adversário valorizou esse resultado. Ingredientes de semifinal de Carioca — avaliou o técnico Roger Machado.

Já a dupla de volantes formado por Wellington e Hudson não funcionou. Foi assim diante do Madureira e novamente contra a Portuguesa. A lentidão na transição ofensiva ajudava a marcação adversária, tanto que os melhores contra-ataques foram iniciados pelos laterais. A saída de Hudson para entrada de Martinelli trouxe a intensidade que faltava para o setor, o que levanta a pergunta: após atuações ruins do volante, por que não dar chances para André, que negocia com o Botafogo, ou Metinho, que está encaminhado com o Grupo City?

Diante do Junior Barranquilla, tamanha lentidão irá cobrar mais caro.

A Portuguesa também merece elogios por se mostrar uma das equipes mais organizadas deste Estadual. Chay, o autor do gol, e Romarinho foram os que mais levaram mais perigo para a defesa tricolor. A atuação de Matheus Ferraz, que falhou em lance antes do pênalti cometido por Ganso, é um ponto negativo. Apesar do bom início da equipe bem organizada pelo técnico Felipe Surian, a queda de ritmo no decorrer da partida pesou. A equipe só conseguiu igualar as ações próximo do fim do jogo, quando exigiu boas defesas de Marcos Felipe — novamente sendo destaque. Se tivesse mantido a intensidade do início ao fim, também poderia ter beliscado a vitória.

Outra boa notícia para Roger Machado é Paulo Henrique Ganso. Se 2020 não foi seu melhor ano, 2021 está sendo um recomeço. O camisa 10 viu um gol certo ser tirado pelo zagueiro em cima da linha e foi um maestro na organização das jogadas da equipe. Mais próximo do gol, como pediu, entregou pelo menos quatro bons passes para Abel Hernández e Gabriel Teixeira.

— Satisfeito com o empate a gente não fica, mas pelo tanto que a gente criou, bola por cima, chance em cima da linha... foi positivo. Nós queremos vencer para chegar na final. Estamos super preparados, mais fortes neste ano. Quem entrar, vai estar preparado. Temos essa pequena vantagem [do empate], mas no Maracanã vamos jogar para ganhar — disse Ganso.

No fim, o empate foi positivo para o Fluminense dentro e fora de campo.