Análise: Goleada põe o Palmeiras postulante a feito que nem Flamengo de Jorge Jesus alcançou

Bruno Marinho
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O Palmeiras definitivamente tem a chance de realizar um feito inédito no futebol brasileiro. Nunca uma equipe venceu, na mesma temporada, Campeonato Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. Na competição sul-americana e no mata-mata doméstico, os paulistas já estão na decisão e enfrentarão, respectivamente, Santos e Grêmio. Já na Série A, se alguém duvidava da capacidade do time de Abel Ferreira encostar na liderança, pode tirar o cavalinho da chuva.

Por falar nela, o Palmeiras passeou no molhado e no seco nesta segunda-feira. No primeiro tempo, debaixo de forte chuva, abriu 2 a 0 sobre o Corinthians no Allianz Parque. Depois do intervalo, com o tempo melhor, aumentou a superioridade sobre o arquirrival: ampliou o placar para 4 a 0 e poderia ter feito até mais.

O time treinado pelo português Abel Ferrreira mostrou que está definitivamente na briga pelo título do Campeonato Brasileiro. A diferença é de seis pontos para o líder São Paulo, mas com um jogo a menos disputado. Para o Alviverde, faltam nove rodadas para o fim da competição.

Esta reta final de temporada promete para o Palmeiras. Na decisão da Copa do Brasil contra o Grêmio e na final da Libertadores contra o Santos, agora a equipe vislumbra a possibilidade de buscar a Tríplice Coroa cada vez mais palpável.

Dois fatores principais explicam a boa fase. O elenco do Palmeiras é o mais equilibrado do futebol brasileiro. Os 11 titulares podem não ser os mais fortes e a quantidade de medalhões pode ser maior no elenco de algum adversário. Mas, numa temporada em que optou pela austeridade nos gastos, a construção de um elenco forte que vem de anos deu resultado com naturalidade, sem fogos de artifício.

A outra razão atende pelo nome de Abel Ferreira. O treinador conseguiu estabelecer um jogo seguro na defesa, eficiente nas transições para o ataque e com repertório. Não é um time que jogue o futebol mais bonito, ou que faça da posse da bola uma meta. O português conseguiu criar um estilo de jogo em que poucos toques são necessários para que a chance de gol seja criada. E há qualidade técnica do meio para frente para que as oportunidades sejam aproveitadas.

O jogo

Nesta segunda, a goleada foi com “G” maiúsculo. Não apenas por se tratar de um clássico. O Corinthians chegou para o jogo embalado por uma arrancada sob o comando de Vagner Mancini. Na partida anterior, havia sido impiedoso ao fazer 5 a 0 no Fluminense.

Mas o Palmeiras não tomou conhecimento do adversário. Quando o Corinthians chegou bem, tanto no primeiro quanto no segundo tempo, parou no goleiro Weverton. Mas isso foi raridade. Na maior parte do tempo, o time alviverde foi soberano, muito graças à boa atuação de Willian.

O veterano não fez gol, mas participou das principais jogadas do Palmeiras No primeiro tempo, a bola passou no seu pé antes Raphael Veiga abrir o placar. Perto da descida para o intervalo, já com amplo domínio das ações, os mandantes conseguiram aumentar a vantagem, com gol de Luiz Adriano.

Na segunda etapa, o Palmeiras teve o mérito de manter o ímpeto e ainda viu o Corinthians voltar abatido. Sem capacidade de concentração. O resultado foi o terceiro gol palmeirense, logo no início, com Veiga novamente.

O jogo parecia definido àquela altura. O Corinthians entregou o quarto gol, marcado por Luiz Adriano, com uma jogada bisonha de Gabriel, que dez minutos depois seria expulso, para deixar o cenário completamente para o Corinthians.

A equipe de Vagner Mancini terá agora que se reequilibrar depois de uma derrota dura, inesperada, pela vantagem do adversário no placar. A chance de conseguir uma vaga na fase preliminar da Libertadores segue viva. Mas quem motivo mesmo para aguardar ansiosamente a reta final da temporada é o Palmeiras.