Análise de imagens em um laboratório pode ajudar polícia a esclarecer desaparecimento de três crianças na Baixada

Marcos Nunes
·2 minuto de leitura

RIO — Para tentar reconstituir os últimos passos dos meninos Fernando Henrique, de 11 anos, Alexandre Silva, de 10, e Lucas Matheus, de 8, que desapareceram em 27 de dezembro do ano passado, o Ministério Publico do Rio de Janeiro (MPRJ) vai analisar, em um laboratório, imagens de câmeras de segurança recolhidas em torno de uma feira-livre, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O objetivo do exame é esclarecer se os garotos estiveram ou não no local antes de sumir. Nesta quinta-feira, dia 4, o desaparecimento das crianças completa 66 dias.

A análise laboratorial vai dar mais nitidez às imagens, que já foram assistidas por agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), encarregados da investigação. O resultado do exame pode ajudar a polícia a descobrir como e em que local exato os garotos desapareceram.

Num primeiro momento, parentes que assistiram às cenas gravadas, exibidas pelos policiais, não conseguiram reconhecer nenhum dos meninos sumidos na filmagem. No entanto, há pelo menos duas testemunhas confirmando terem visto os garotos na feira de Areia Branca. Uma delas disse que as crianças chegaram a entrar numa loja de ração para pássaros. A outra testemunha afirma ter visto os meninos próximos a um bar, localizado nas imediações da feira-livre.

Familiares das três vítimas, incluindo mães, tias e primos, além de outras crianças que brincavam com os três meninos antes do trio sair de uma quadra de esportes da comunidade do Castelar, em Belford Roxo, já foram ouvidos pela polícia. Estas últimas contaram que os meninos afirmaram que estavam indo para uma feira comprar ração de pássaros.

Para a dona de casa Silvia Regina, avó de dois dos três desaparecidos, a ausência de notícias só aumenta a agonia das famílias dos três meninos.

—A policia não passou nada pra gente. Continuamos sem saber o que aconteceu com os meninos. A única coisa que falam pra gente é que continuam investigando — disse a dona de casa.

Na semana passada, a Justiça concedeu mais 30 dias de prazo para a conclusão das investigações e do inquérito que apura o o triplo desaparecimento. A Polícia Civil segue como linha de investigação a hipótese de que traficantes do Morro do Castelar estejam por trás do desparecimento das crianças. No dia 12 de janeiro, o tráfico teria incentivado um grupo de pessoas a queimar um ônibus em um protesto que ocorreu a menos de 200 metros da DHBF.