Análise: independentemente do resultado de domingo, Botafogo fechou bem a temporada com vitória contra o Santos

— Sim, a vida foi melhorando. Agora nós sabemos os perigos desta vida. Quando pensamos que estamos no céu, pisamos num buraco e vamos para o inferno. Mas até hoje ela foi melhorando, a equipe foi se construindo. Acho que fizemos um grande segundo turno. Tivemos um ou outro percalço, mas quem não tem? Real Madrid, Barcelona e PSG têm, por que o Glorioso não pode ter? Também tivemos as nossas, mas a vida melhorou. Aproveito para desejar que a vossa também melhore sempre e que o Glorioso continue no seu caminho ascendente — foi assim, com referência à música de Martinho da Vila, que um sorridente e sereno Luís Castro encerrou a entrevista coletiva após a vitória do Botafogo contra o Santos por 3 a 0.

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E de fato a vida do Botafogo melhorou ao longo da temporada. Do início do trabalho de Luís Castro e da "Era Textor", na derrota acachapante para o Corinthians por 3 a 1 num Nilton Santos lotado, até o grande triunfo na noite de quinta, muito se passou no clube.

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Entre três times montados ao longo do Brasileirão, o Botafogo viveu o céu e o inferno algumas vezes. Embora a diretoria tenha sido clara em relação ao objetivo da temporada, que era permanecer na Série A, a euforia pelo bem-estar financeiro e as contratações falou mais alta. Por isso, a derrota para o Corinthians na estreia foi um balde de água fria para os torcedores.

No entanto, logo em seguida esses mesmos botafoguenses viram o Botafogo vencer o poderoso Flamengo em Brasília e ter a chance de virar líder do campeonato. Por isso, invadiram Minas Gerais para o confronto contra o América-MG e voltaram para o Rio frustrados com um empate sem graça.

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Para piorar, o Botafogo enfrentou duas sequências de quatro derrotas consecutivas no primeiro turno da competição, o que decaiu nos jogadores, vaiados em campo, e no técnico Luís Castro, que ouviu xingamentos que o deixaram baqueado.

Mesmo assim não só o técnico português, como seu estafe, jogadores e diretoria demonstraram crença no trabalho que estava sendo feito e bancaram a continuidade — o que dificilmente aconteceria se o Botafogo não tivesse se tornado uma SAF, afinal, até o presidente Durcesio Mello criticou Castro — mesmo após o time entrar na zona de rebaixamento.

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Dessa forma, aos poucos, a equipe foi se ajeitando. Após a previsão de Textor, da chegada de reforços que elevariam o nível do time, se confirmar — Marçal e Eduardo, por exemplo, estrearam há exatamente um turno atrás, quando o alvinegro, jogando bem, perdeu por 2 a 0 para o Santos na Vila Belmiro —, o Botafogo subiu de produção e rapidamente saiu da briga contra o rebaixamento.

Mais que isso, o time, mesmo com um desempenho que ainda oscilava, principalmente dentro do Nilton Santos, começou a vencer e dar demonstrações de um futebol mais organizado. Foi assim, por exemplo, que o Botafogo venceu Fortaleza, São Paulo e Atlético-MG, e chegou a melhor campanha fora de casa na história dos pontos corridos — até o momento, são 31 pontos conquistados em 18 jogos.

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Também foi assim que, um ano depois de subir da segunda divisão sem ter a menor ideia de como faria para sobreviver a uma temporada na Série A saudável financeiramente e com um time competitivo, o Botafogo chega para o último jogo da temporada na briga por uma vaga na fase de grupos da Libertadores — uma vitória contra o Athletico-PR, no domingo, basta para o alvinegro se classificar para a fase de pré-Libertadores.

Além disso, o time conquistou a vaga na Sul-Americana com rodadas de antecedência, e conseguiu, no último jogo em casa, entregar o que o torcedor esperou durante todo o ano: um jogo em que, com um futebol vistoso e equilibrado, o Botafogo dominasse um adversário e vencesse com superioridade.

É claro que para o torcedor alvinegro a temporada só terá um final feliz de verdade se a vaga para a Libertadores for conquistada. Mas mesmo assim, o 3 a 0 no Nilton Santos é uma bonita resposta positiva de um elenco que cumpriu o objetivo traçado para 2022 e que buscou dar orgulho ao torcedor num ano de reconstrução.

Agora, é como falou Luís Castro. "No céu", o Botafogo subiu o sarrafo para 2023 e criou uma expectativa que não era vista no clube há anos. Cabe aos jogadores, comissão técnica e diretoria não pisarem no buraco na próxima temporada, seja ela com a disputa da Sul-Americana ou da Libertadores.