Análise: Memes são saudáveis, mas Palmeiras não fez vexame no Mundial de Clubes

Rafael Oliveira
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A derrota do Palmeiras para o Tigres, por 1 a 0, tirou o clube brasileiro do Mundial de Clubes e levou os torcedores rivais à loucura no Brasil. Ainda com a partida em andamento, a internet foi tomada pelos já tradicionais memes. Zoação é um lado sadio do futebol. Mas é importante deixar claro que a eliminação na semifinal não foi um vexame.

No Brasil, institucionalizou-se o pensamento de que o representante do país não pode ser derrotado no torneio da Fifa por outra equipe que não a europeia. Trata-se de uma visão há muito ultrapassada. Passou da hora de se entender que, apesar da força econômica do futebol nacional, que permite a contratação de técnicos e jogadores estrangeiros, há outros mercados periféricos (entenda aqui todos os países que não são da Europa Central) nesta mesma condição. E com até mais dinheiro.

O México e o Tigres são bons exemplos disso. Com seu elenco multinacional (incluindo o francês Gignac), a equipe mexicana ignorou o fato de o Palmeiras ser do país pentacampeão mundial. Mesmo sem uma atuação de gala, jogou um bom futebol (coletivamente e individualmente) e fez por merecer a vitória. Para o Palmeiras e para o Brasil, uma derrota que precisa provocar mais reflexões do que os 4 a 0 do Barcelona sobre o Santos, em 2011.

O Palmeiras, de todo modo, ainda não volta para casa. Precisa decidir o terceiro lugar do torneio contra o perdedor de Bayern de Munique e Al Ahly, que se enfrentam nesta segunda. É provável que sejam os árabes. Se confirmado, é bom que os brasileiros não os tratem com desdém.

A torcida palmeirense já deveria esperar por um jogo tenso e sem vida fácil para o campeão da Libertadores. Afinal, já virou tradição as equipes brasileiras começarem a semifinal com dificuldade. Foi assim com o Flamengo, que na edição passada foi para o intervalo perdendo por 1 a 0 para o Al-Hilal, e com o Grêmio, que em 2017 ficou no 0 a 0 com o Pachuca. Mas, no fim, os dois deixaram este peso para trás e garantiram sua vaga na decisão.

Mesmo não surpreendendo, a primeira metade do jogo já deu indícios de que havia motivos para preocupação. Nos cerca de 15 minutos em que foi melhor, o Palmeiras teve apenas mais posse de bola e marcava bem. Mas não conseguia infiltrar e concluir as jogadas com perigo. Não à toa, a melhor chance alviverde foi um chute de fora da área de Rony.

Os mexicanos parecem ter estudado bem o time de Abel Ferreira e não permitiram que os palmeirenses utilizassem sua melhor arma: os contra-golpes velozes. Já com a bola, o Tigres encontrou o caminho das pedras na bola alta (que obrigou Weverton a fazer uma ótima defesa já aos 3 minutos) e na individualidade de Gignac e de Quiñones. No primeiro tempo, foram três chances reais de gol para eles contra apenas uma dos brasileiros.

A situação do Palmeiras se complicou quando, na volta do intervalo, ficou claro que Abel Ferreira não conseguiu consertar os problemas. O Tigres ganhou o meio de campo e passou a chegar com mais facilidade ainda na área alviverde. O gol não demorou a sair. Aos 6, Luan só conseguiu segurar Gonzalez com um puxão na área. Pênalti que Gignac converteu.

Se taticamente o Tigres já era superior, depois do gol ele também passou a ser melhor emocionalmente. Os palmeirenses não conseguiram reagir. A falta de atenção se refletiu nos passes errados, na perda de bola fácil e no excesso de impedimentos.

Não que o Tigres seja melhor do que o Palmeiras. Na verdade, mostrou ter o mesmo nível técnico. Tanto que, na reta final da partida, o Palmeiras conseguiu (ainda que na base do abafa sem tática) pressionar e quase empatar. Não conseguiu. E o resultado foi mais que justo.