Análise: Neymar e Paquetá aumentam afinação, mas Brasil precisa de mais que 45 minutos de bom futebol

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A seleção brasileira chegou à final da Copa América sem brilho, mas com a sensação de que quando se esforça consegue jogar bem e bonito. Em mais de uma oportunidade no torneio houve apenas metade de uma partida em alto nível — ontem, foi o primeiro tempo, com belas jogadas e domínio que resultaram na vitória de 1 a 0 sobre o Peru.

Novidade na equipe, Lucas Paquetá foi o autor do gol, novamente em parceria com Neymar, detalhe que tem se tornado o ponto alto do Brasil no torneio. A final será no sábado, no Maracanã, contra Argentina ou Colômbia, que jogam hoje.

— Eu quero a Argentina — disse Neymar ao fim do jogo.

É um bom gancho para entender que, com o futebol econômico que apresentou na maioria dos jogos até a final, o Brasil talvez não consiga ser superior ao time de Messi por 90 minutos. Será preciso pegar todos os testes e reservas física e técnica para ser campeão.

Contra o Peru, o time comandado por Tite fez seu melhor primeiro tempo na competição. A escalação com Paquetá e Éverton Cebolinha encaixou muito bem. O Brasil entrou em campo com um esquema 4-3-3, contra a linha de cinco da defesa peruana. E conseguiu abrir bem as jogadas, como raramente fez nas partidas anteriores.A presença de Éverton pelo lado direito, no lugar do suspenso Gabriel Jesus, deu um toque a mais de qualidade, além de apenas disposição.

A seleção ficou mais equilibrada, já que do outro lado tinha Richarlison e Neymar. Paquetá atuou em uma posição mais central, ajudando na transição e proporcionando sempre opção para o passe como homem de área.

Depois de algumas boas jogadas pela esquerda que pararam no bom goleiro Gallese, o Brasil conseguiu desabrochar com lindo lance de Neymar. O camisa 10 arrancou em direção ao fundo, se desvencilhou das falhas do gramado, driblou dois zagueiros, com um toque entre as pernas de um deles, e rolou para trás. Paquetá ajustou o corpo para não ser enganado pela irregularidade do campo e arrematou bem para marcar. Foi o quinto gol do meia em 20 jogos pela seleção.

Mesmo que como garçom, Neymar já era o melhor jogador da seleção. Teve bom apoio dos volantes Fred e Casemiro na construção das jogadas e foi bem mais objetivo que nos últimos jogos. A estrutura defensiva esteve perfeita na etapa inicial. Embora tenha enfrentado um time com pouca vocação para atacar, o Brasil se impôs, conseguiu ter muito mais posse de bola e criar situações em sequência. Já poderia ter resolvido a classificação nos primeiros 45 minutos, mas pecou em algumas finalizações.

Queda no segundo tempo

Como isso não aconteceu, a etapa final foi de recuperação para o Peru. O time de Gareca abandonou a linha inicial de cinco defensores e conseguiu articular melhor as jogadas, diante de um Brasil que apostava no contra-ataque. O goleiro Ederson espalmou duas bolas para o meio da área e o perigo rondou a defesa da seleção. Os peruanos tiveram superioridade no meio-campo, progrediram sem tanta marcação e controlaram mais o jogo. Tite só foi fazer algum ajuste depois dos 25 minutos, com Everton Ribeiro no lugar de Cebolinha. Tentava, com isso, que o Brasil recuperasse a posse de bola, e não ficasse investindo apenas nos lançamentos como o de Neymar, que deixou Richarlison na cara do gol. O atacante sofreu a carga, pediu pênalti, mas a arbitragem mandou seguir.

Em toda a Copa América, a seleção pecou na hora de definir os jogos, com exceção da goleada de 4 a 0 sobre o mesmo Peru na fase inicial. Com a preocupação de fazer testes, Tite não se preocupou muito com placares elásticos. Até agora, conseguiu observar a seleção oscilar sem agir no desespero.

A entrada de Everton Ribeiro serviu para dar mais uma chance ao meia, que na prática não aproveitou muito. O time titular teve de fato um bom encaixe, deixando claro que a espinha dorsal da seleção está formada. Quem conseguiu aproveitar mais foi mesmo Paquetá. Tite parece ter compreendido que precisa mesmo mexer mais no meio-campo para que o ataque funcione da melhor maneira possível. Firmino e Gabigol não entraram, e no fim houve ainda tempo para Vini Jr. ir a campo.

Que venha a Argentina.

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