Análise: No Fluminense x São Paulo, como Fred e Daniel Alves regeram o jogo

Carlos Eduardo Mansur
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Há muitas coisas para dizer sobre o Fluminense x São Paulo deste sábado. Uma delas, que não é nenhuma anormalidade a derrota do tricolor carioca no Maracanã. O líder do campeonato, embora muito distante de ser um time perfeito e sem desacertos, vive o auge de sua maturidade após um ano de trabalho de Fernando Diniz. É convicto ao ousar, ao orientar seu jogo para a construção ofensiva, mas sabe resistir quando precisa. Já o Fluminense, em seu terceiro jogo com Marcão, teve bons momentos quando pressionou à frente, arriscou. Em outros, hesitou, duvidou. Em parte, explica a vitória por 2 a 1 do São Paulo, agora sete pontos à frente de Flamengo e Atlético-MG na tabela.

Mas houve outra coisa marcante no Maracanã: um jogo regido por dois veteranos. É impressionante a forma como Daniel Alves manda no jogo do São Paulo. Por vezes cadenciava, por vezes acelerava a bola, combatia, orientava, ditava o ritmo como um líder técnico e moral.

E impressionou como Fred foi, por vezes, quase todo o sistema ofensivo do Fluminense. Ele foi inteligente ao interceptar um passe de Gabriel Sara e marcar o empate, no início do segundo tempo. Mais adiante, quando o time tinha perdido sua capacidade de articular jogadas apesar de acumular atacantes, Fred era alvo de qualquer bola longa: ganhava todas, aparava, servia companheiros. Quase deu a Caio Paulista e a Miguel o empate.

Embora o São Paulo seja, hoje, melhor time, o Fluminense fez coisas boas no jogo. A formação com Araujo e Yago Felipe no meio permitiu ao time pressionar bem e tentar atacar com a maior rapidez possível. Mas aí entra a questão da convicção. A saída de bola do time de Diniz é muito trabalhada e bastaram algumas escapadas para o Fluminense hesitar. Foi fatal para perder ritmo no primeiro tempo e ver a bola ficar mais com o São Paulo. Algo natural num time longe de ter mecanismos treinados, uma ruptura recente de trabalho.

Ainda assim, a boa marcação no meio-campo provocava mais erros técnicos do que o normal nos paulistas. Nunca foi um jogo confortável para a equipe de Diniz. E isso é mérito do Fluminense.

Pecado mesmo foi permitir um gol num erro de passe: Wellington Silva entregou mal uma bola e o São Paulo, em uma de suas especialidades, triangulou pelo lado até Reinaldo cruzar. Uma sequência de falhas, a última delas de Danilo Barcelos, permitiu o gol de Brenner.

O Fluminense do início segundo tempo foi aceso, pressionando novamente na frente. Fred tirou da cartola o gol de empate e o jogo parecia pender para os donos da casa. Marcão trocou Marcos Paulo, que fazia bom jogo se movimentando da esquerda para o centro, e colocou Lucca. Mas novamente a maturidade que o São Paulo tem em torno de suas ideias pesou. Daniel Alves cadenciou a partida e o time de Diniz foi, aos poucos, jogar no campo do Fluminense.

Calegari saiu para dar um combate no meio-campo, a linha defensiva ficou desprotegida e, em bela jogada do São Paulo, Gabriel Sara cruzou a bola que terminou no segundo gol de Brenner. Tornou-se um jogo cheio de espaços, com um São Paulo em queda física e um Fluminense atirado à frente no fim. Marcão tirou o volante Yuri, colocou Miguel e Caio Paulista. No fim, ainda trocou Araujo por Felippe Cardoso. Mas o time já tinha mais pressa do que ideias. Ainda assim, tinha Fred. Quase foi o bastante para o empate.