Análise: No primeiro jogo 'grande' pós-Messi, Barcelona mostra que virou figurante da Champions

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A curiosidade sobre o primeiro jogo "grande" do Barcelona na era pós-Messi se desfez. E as previsões mais negativas se confirmaram. A estreia do time catalão na Liga dos Campeões mostrou seu novo tamanho dentro da principal competição de clubes do mundo: o de mero figurante. O principal sintoma disso é a reação depois do jogo. No reencontro com o Bayern de Munique após os fatídicos 8 a 2 (nas quartas de final da edição 2019/20), uma derrota por 3 a 0 que, ao contrário da goleada de um ano atrás, não chocou ninguém.

Mais do que o placar, a forma como ele foi construído é que aponta para esta nova realidade do Barcelona. Mesmo em casa, com presença de torcida, os espanhóis em nada lembraram aquela equipe que, mesmo nos últimos anos de Messi, ainda se impunha em campo. Jogou recuada e perdeu assistindo ao Bayern jogar.

Os alemães, por sua vez, largaram bem na era Julian Nagelsmann. Mesmo sem brilhar, apresentaram um futebol envolvente sob o comando do técnico de apenas 34 anos, que chegou a sua sexta vitória em sete jogos no novo clube.

Os primeiros 15 minutos de jogo foram de um Barcelona que, mesmo com três zagueiros, foi mais proativo que o adversário. Mas este desenho aos poucos se desfez. A equipe espanhola mostrou-se muito mais empenhada em se defender do que em atacar, o que talvez seja reflexo do trauma que os 8 a 2 ainda deixam no clube. E, nisto, o time não foi mal. Com uma linha de cinco e marcação bem recuada, o time superlotou sua área e dificultou bastante a vida do Bayern.

O problema estava quando o Barcelona tinha a bola nos pés. Um time que se propõe a ser reativo, ao menos tenta realizar uma transição ofensiva com ligações diretas, para pegar o adversário desprotegido. Só que o time de Ronald Koeman saiu na base dos toques curtos, tornando-se presa fácil para a marcação sob pressão do Bayern. Na frente, Depay assumiu a missão de ser o novo protagonista da equipe. Mas, além de ter sido prejudicado pela proposta escolhida, não tem a mesma capacidade de decisão que Messi.

Embora longe de serem brilhantes, os visitantes ocuparam os espaços, pressionaram e chegaram com mais perigo. Enquanto os catalães desceram para o intervalo com dois chutes para fora, os alemães conseguiram que suas três finalizações fossem todas na direção do gol. Uma delas, o chute de fora da área de Muller, aos 33, desviou em Eric Garcia e tirou as chances de defesa de Ter Stegen.

Koeman teve chance de promover mudanças e consertar os erros no intervalo, mas nada fez. Um erro que se fez valer já nos primeiros minutos da volta. Após 10 minutos de puro domínio do Bayern, Lewandowski ampliou empurrando para dentro bola chuta por Musiala e que bateu na trave.

Só a partir daí o treinador holandês decidiu mexer. E ousou. Colocou três atletas em início de carreira (Demir, com 18; e Gavi e Balde, com 17), além de promover a volta de Philippe Coutinho, que não disputava uma partida desde 29 de dezembro, última antes de suas cirurgias no joelho.

A reação da equipe até foi positiva. As entradas, principalmente de Gavi, fizeram o Barça chegar com mais consistência na frente. Mas a diferença técnica para o Bayern se impôs. E os alemães, mesmo com menos ímpeto do que até o começo do segundo tempo, ainda marcaram mais um, com Lewandowski de novo, aos 39.

No fim, a torcida catalã já não vaiava e nem se desesperava. Com a diferença de forças entre as duas equipes no momento, o 3 a 0 em casa já não choca ninguém.

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