Análise: o melhor da goleada do Botafogo sobre o Moto Club é a paz que ela traz para o futuro

Bruno Marinho
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A Copa do Brasil gera uma contradição para um time na situação do Botafogo. Nenhuma análise um pouco mais racional coloca o alvinegro entre os candidatos ao título. E nem o torcedor mais fanático diria que existe outra prioridade para a equipe que não seja o retorno à Primeira Divisão. Ainda assim, um tropeço logo na primeira rodada do mata-mata seria um baque considerável sobre o trabalho de Marcelo Chamusca, ainda tão prematuro.

Bom que logo o time carioca mostrou que a noite não seria de sustos ou apertos, ao abrir o placar com apenas dois minutos de jogo. Sempre seguro diante do Moto Club, o Botafogo goleou por 5 a 0 em São Luís e avançou para a segunda fase da Copa do Brasil. Pode trabalhar com calma, Chamusca, que a estrada em 2021 é longa e está apenas nos primeiros metros percorridos.

Da mesma forma, não se deve perder de vista o fato de que o nível dos adversários em todo começo de ano normalmente não serve de referência. O Botafogo precisaria ganhar de 10 a 0 do Moto Club para que o desempenho significasse algo mais profundo a respeito do alvinegro.

O que dá para ser dito: a maneira com que o time de General Severiano joga neste começo passa boa impressão. A escalação mostra um time jovem, com capacidade de jogar com intensidade e fazer a transição rápida para o ataque. Foi isso que aconteceu, com proeza, no lance do terceiro gol do Botafogo, no segundo tempo. Foi um contra-ataque de almanaque: veloz, com poucos toques na bola e finalização precisa de Ênio.

Também vale destacar que, mesmo sempre melhor, o Botafogo construiu a goleada depois que o time maranhense ficou com um jogador a menos, ainda aos 18 minutos do segundo tempo, depois de uma falta desnecessária de Gleydisson. Antes disso, o time visitante dominava, mas não esmagava o adversário no campo de defesa. Tanto que goleou tendo 57% de posse de bola.

Pode ser que o estilo da equipe nunca vá ser esse, de controle das ações no campo adversário. Não precisa ser. Mas, diante de um Moto Club tão limitado, o domínio foi claro, mas não opressor. No primeiro tempo, com 11 jogadores para cada lado, o time fez dois gols de bola parada e finalizou cinco vezes. Ou seja: dominou, mas chutou apenas três bolas em jogadas construídas. É pouco.

Mais importante do que retratar um desempenho no presente, a goleada garantiu a paz para a construção de um futuro Botafogo. É disso que o time precisa, tranquilidade, bom ambiente e confiança para retornar à Primeira Divisão.