Ação da PF contra Luciano Bivar é a pá de cal no casamento entre Bolsonaro e o líder do PSL

O presidente do PSL e (agora) ex-aliado de Bolsonaro, Luciano Bivar (Adriano Machado/Reuters)


A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, 15/10, uma operação que tem como alvo o presidente do PSL, Luciano Bivar. Ao todo, nove mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, onde estão os alvos da ação. Bivar, ex-presidente do Sport-PE, vive em Recife.

Eleito pelo PSL, o presidente Jair Bolsonaro está em guerra declarada contra a legenda desde a semana passada, quando afirmou, a um apoiador, que o cacique do partido estava “queimado para caramba”.

Bivar reagiu.

Como pano de fundo está a disputa por estimados R$ 500 milhões do fundo eleitoral aos quais o PSL pode ter direito após eleger a segunda maior bancada na Câmara na onda que catapultou Bolsonaro à Presidência em 2018.

Segundo uma nota da PF, o inquérito policial foi instaurado, por requisição do TRE, para apurar a possível prática dos crimes eleitorais e associação criminosa. A suspeita é que os líderes do PSL teriam “ocultado/disfarçado/omitido movimentações de recursos financeiros oriundos do fundo partidário, especialmente os destinados às candidaturas de mulheres, após verificação preliminar de informações que foram fartamente difundidas pelos órgãos de imprensa nacional”.

Uma das acusações envolve o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Gustavo Bebianno, que comandou o PSL durante as eleições e foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência, caiu quando as primeiras suspeitas vieram à tona. Ele e Bolsonaro estão rompidos desde então.

Nos bastidores, dizia-se que, após a troca de farpas, que o deputado Eduardo Bolsonaro (SP) e seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), ambos eleitos pelo PSL, costuravam um acordo para amenizar a crise entre o governo e a legenda. Muito se falou também sobre a possibilidade de o presidente mudar de partido, o que provocaria uma série de desfiliações no PSL.

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A pergunta que acompanhava a articulação era para onde iriam os cargos, já que os deputados da bancada poderiam perder os mandatos, e, principalmente, como seria dividido o fundo partidário em caso de implosão.

A ação da PF mina todo esforço de reaproximação.

Para Bolsonaro, eleito com discurso moralizador e pauta anticorrupção, ficará cada vez mais difícil explicar como pôde amarrar seu burro em uma legenda suspeita de embolsar recursos indevidos já de saída, na campanha, com uso de candidatas-laranja.

Segundo a PF, comandada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, há indícios de que a porcentagem (30%) dos valores do fundo partidário, que deveriam ter sido empregados na campanha das candidatas do sexo feminino, “foram direcionados de forma fictícia objetivando o seu desvio para livre aplicação do partido e de seus gestores”.

A operação foi nomeada Guinhol, referência a um marionete, personagem do teatro de fantoches criado no Século XIX. Segundo a PF, a menção se deve à “possibilidade de candidatas terem sido utilizadas exclusivamente para movimentar transações financeiras escusas”.

Após ser “queimado” pelo presidente, Bivar manteve silêncio em suas redes, dando pistas da tensão no relacionamento por meio de algumas (poucas) entrevistas.

No Facebook, sua última postagem é de 4 de outubro, quando participou de uma reunião com o secretário de Desestatização do Ministério da Economia, Salim Mattar. Estava em pauta, segundo o post, o apoio do PSL no Congresso ao “processo de desburocratização do Estado”, uma bandeira do governo.

Na foto de capa de sua página, Bivar, como nos tempos de campanha, fazia arminha com a mão à frente de uma faixa segurada por apoiadores onde se linha #SomosTodosBolsonaro.