ANÁLISE-Presidente da Argentina enfrentará teste duro em eleições de meio de mandato

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Presidente da Argentina Alberto Fernández
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Por Horacio Soria e Juan Bustamante

BUENOS AIRES (Reuters) - Alberto Fernández, o presidente de centro-esquerda da Argentina, passará por um teste político no domingo que pode dividir o governista Partido Peronista, provocar um êxodo no gabinete e tirar dos trilhos a campanha da esquerda dois anos antes da eleição presidencial.

O país irá às urnas para eleições de meio de mandato, e uma prévia nas primárias e pesquisas levam a crer que os eleitores punirão o governo, podendo eliminar sua maioria de décadas no Senado.

Analistas estão divididos sobre o que uma derrota poderia significar, mas um revés contundente na primária de setembro provocou uma grande reforma ministerial e uma fratura entre as facções moderada e militante dos peronistas.

"Temos um partido governista com uma chance séria de perder seu quórum no Senado. Isto seria um estado de coisas histórico para o peronismo, e francamente sugere o que está por vir", disse Shila Vilker, diretor da consultoria Trespuntozero.

Investidores e operadores estão acompanhando atentamente.

A Argentina, grande produtora de grãos, está envolvida em negociações cruciais com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a respeito de um novo acordo para rolar cerca de 45 bilhões de dólares de dívidas que não consegue pagar, um teste tanto para o FMI quanto para as credenciais da Argentina nos mercados globais.

Por enquanto, as conversas estão sendo conduzidas por vozes bem mais moderadas do governo, como o ministro da Economia, Martín Guzmán, e o próprio Fernández.

Nikhil Sanghani, analista da Capital Economics, disse em uma nota que o resultado provável da votação será o governo dar uma guinada mais moderada por ser forçado a negociar com a oposição para fechar um acordo.

Mas uma "derrota pesada" pode fazer as coisas irem na direção oposta.

"Poderia haver um período de lutas internas peronistas ou de paralisia política durante alguns meses, mas algo terá que mudar até o meio do ano que vem, quando a Argentina se aproxima de um possível ponto de colapso nos pagamentos da dívida com o FMI", opinou ele.

O partido governista pode perder sua maioria no Senado e uma disputa importante na Câmara dos Deputados na província de Buenos Aires, um reduto antigo dos peronistas, o partido político argentino mais influente dos últimos 70 anos.

Muitos eleitores estão exaustos de uma inflação galopante que passa dos 50%, de controles monetários que afetam os negócios e o comércio, do crescimento fraco, da pobreza e de políticas polêmicas como os limites à exportação de carne bovina adotados no início deste ano.

(Reportagem adicional de Jorge Otaola e Agustin Geist)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702)) REUTERS AC

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