Análise: Primeiro tempo impecável é consolo para o Villarreal, mas Liverpool na final é resultado mais justo

Em que pese a campanha maiúscula do Villarreal na Liga dos Campeões da Europa, pode se dizer que a presença do Liverpool na grande final, dia 28, é mais justa. A vaga veio num duelo de tempos totalmente distintos, mas que terminou com uma virada por 3 a 2 em favor dos ingleses, um dos melhores times da temporada e que já é considerado um dos maiores da história do clube.

O Liverpool de 2021/2022 impressiona. Com 139 gols, faz a temporada mais goleadora de sua história. E pode se tornar o primeiro inglês a conquistar os quatro principais títulos em disputa: a Liga dos Campeões, o Campeonato Inglês e a Copa da Inglaterra, além da Copa da Liga Inglesa, já vencida em final contra o Chelsea. Seja contra o Manchester City ou o Real Madrid, que decidem a segunda vaga nesta quarta, chegará em condições iguais de brigar pelo título.

Ao Villarreal, resta o consolo de ter deixado a torcida orgulhosa pela campanha feita na Liga dos Campeões. O primeiro tempo impecável, em que deu a impressão de que poderia eliminar o poderoso Liverpool, serviu para mostrar que o time não chegou ali por acaso. Mas, no fim, o equilíbrio de forças se reestabeleceu.

A pressão do Villarreal logo no começo do jogo não chegou a surpreender. O que talvez nem sua própria torcida esperava é que o time fosse fazer um primeiro tempo tão impecável. A equipe de Unay Emery fez uma marcação alta que anulou a saída de bola do Liverpool e explorou muito bem os lados do campo. Foi por onde saíram as jogadas dos dois gols (de Dia, logo aos 3; e de Coquelin, aos 41) que acabaram com a vantagem construída pelo Liverpool no primeiro confronto.

O Villarreal se destacou não só taticamente como individualmente. Entre os destaques, Gerardo Moreno, que não atuou na primeira partida e fez toda a diferença nesta terça mesmo não tendo balançado as redes. Mesmo longe de 100% da forma física, ele esbanjou dedicação com a bola e sem ela. Atuando aberto, ele ajudou a dar amplitude a sua equipe e serviu de ponto de conexão para os ataques.

No meio, Capoue e Lo Celso também foram fundamentais na ligação entre defesa e ataque e na distribuição das jogadas. Já atrás, Foyth foi elemento fundamental para parar as poucas investidas do rival.

A surpresa não se limitou à excelência da atuação dos donos da casa. O Liverpool fez um primeiro tempo irreconhecível em relação ao que vem sendo sua campanha. O time de Jurgen Klopp sentiu a marcação por pressão do rival e errou demais na troca de passes. Desceu para o intervalo com uma taxa de 66% de acerto. Foram seus piores 45 minutos em toda a temporada.

O que não causa espanto algum é que o desenho da primeira etapa não se manteve na volta do intervalo. Porque seria muito difícil tanto para o Villarreal manter o ritmo inicial e quanto para o Liverpool, sendo a equipe qualificada que é, seguir jogando tão mal. A entrada de Luis Díaz no lugar de Diogo Jota e a melhora na execução dos passes deram aos ingleses o equilíbrio que faltou antes. Ganharam amplitude e passaram a atacar.

Os espanhóis sentiram a reação do rival. Inclusive no aspecto emocional. Não conseguiram manter a marcação alta e viraram presas fáceis para os avanços do Liverpool. Some-se ainda as falhas do goleiro Rulli, que sofreu dois gols entre as pernas e ainda saiu desastrosamente no lance do terceiro. A virada do Liverpool foi construída em apenas 12 minutos (com Fabinho, aos 17; Díaz, aos 22; e Mané, aos 29).

O duelo terminou com um Villarreal entregue e faltoso. Nada parecido com a atuação de gala do primeiro tempo. Mas a subida de produção dos ingleses entre um tempo e outro mostrou que o primeiro tempo não foi justo com a temporada do Liverpool até agora e com o que ele ainda pode fazer.

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