Análise: Renovação da seleção brasileira é aprovada em teste de fogo

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Tite teve sensibilidade para rejuvenescer a seleção brasileira desde a Copa América de 2019, um pouco por necessidade, pela queda de nível de jogadores como Philippe Coutinho e Firmino, um pouco pelo processo natural de ascensão dos mais novos. Faltava ainda um teste de fogo para esses garotos, uma partida em condições realmente adversas que as Eliminatórias da América do Sul dificilmente oferecem atualmente. Ela aconteceu nesta terça-feira. E os garotos foram aprovados no empate em 0 a 0 com a Argentina. Se não com nota dez, mas seguros o suficiente para a menção honrosa.

O quarteto ofensivo, formado por Lucas Paquetá (24 anos), Raphinha (24), Matheus Cunha (22) e Vini Jr. (21), teve de lidar com a pressão da torcida no caldeirão do Estádio Bicentenário, em San Juan, e com a violência dos marcadores argentinos — ainda no primeiro tempo, Raphinha sofreu cotovelada do zagueiro Otamendi, solenemente ignorada pelo VAR. Não jogaram sob o guarda-chuva de Neymar, referência técnica do Brasil e que está habituado a centralizar as responsabilidades. Mesmo assim, foram capazes de levar perigo aos bicampeões do mundo, em boa fase, sem perder uma partida desde meados de 2019.

Vini Jr. teve duas boas chances para marcar e acertou uma lambreta espetacular em Romero, que na sequência da jogada quase terminou em gol. Matheus Cunha ficou perto de fazer um golaço do meio de campo, ao perceber o goleiro Martínez adiantado. Lucas Paquetá foi quem ditou o ritmo do ataque, distribuindo bem o jogo, cadenciando as ações quando preciso.

Neste processo de renovação, é preciso saber o ponto certo para não avançar o sinal. Tite ainda não sente tanta confiança nas opções mais jovens para atuar nas laterais, Emerson Royal, pela direita, e Renan Lodi, pela esquerda.

Com isso Danilo e Alex Sandro, ambos com 30 anos, seguem como titulares, avançam rumo à Copa do Qatar sem chegarem nem perto do oferecer alternativas ofensivas. A seleção enfrentou a Argentina com uma linha de quatro defensores no sentido mais fiel da ideia. Pode até passar segurança defensiva, mas foge completamente do estilo brasileiro de jogo. Algo que o próprio Tite sempre valorizou quando pode, especialmente quando contou com Marcelo e Daniel Alves à disposição.

— Tivemos muito bem, em todos os jogos. Já estamos classificados. Passamos dentro do vestiário a solidez defensiva. É importante estar bem atrás para criar chances de gol. Falhamos no terço final, mas saímos sem sofrer gols. É seguir trabalhando para chegarmos bem à Copa do Mundo — afirmou Fred.

O volante teve boa atuação em San Juan, foi um dos que colaboraram para a atuação apagada de Messi. Fabinho, que atuou como titular na vafa de Casemiro, suspenso, também desempenhou bem a missão de conter os avanços do craque argentino, sempre flutuando entre as linhas. As arrancadas do camisa 10 não são mais as mesmas, o que facilitou o trabalho. Di María acabou sendo o argentino mais perigoso em San Juan.

Saldo em 2021

Depois da derrota do Brasil na Copa América, dentro do Maracanã, para a própria Argentina, a seleção encerrou sua história na temporada classificada antecipadamente para a Copa do Qatar e a sensação de saldo positivo, de evolução rumo ao Mundial. A dependência para Neymar é menor e os números acabaram altamente positivos: em 16 partidas, foram 12 vitórias, três empates e apenas uma derrota. A equipe fez 27 gols e sofreu apenas cinco.

A próxima partida será dia 27 de janeiro, contra o Equador. Nela, Tite deve seguir mesclando entre testes para definir o grupo para a Copa e os ajustes na equipe titular, cada vez mais definida. Entre as novidades que surgem no time principal, Raphinha é quem ainda oscila mas claramente. As partidas que fez saindo do banco de reservas o levaram para a titularidade, no lugar de Gabriel Jesus. Entretanto, depois que passou a jogar de saída, o atacante do Leeds United não conseguiu ser tão desequilibrante quanto antes.

Contra a Argentina, ele recebeu poucas bolas, prejudicado pela insistência da equipe em acionar Vini Jr. pela esquerda. Mesmo assim, quando o passe chegou, ele não conseguiu se destacar. Tanto que Antony entrou no segundo tempo da partida. O atacante do Ajax trava uma disputa aberta pela posição.

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