ANÁLISE-Reunião virtual de horas entre Biden e Xi rende pouca mudança

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Presidente dos EUA, Joe Biden, durante reunião virtual com presidente da China, Xi Jinping

Por David Brunnstrom e Yew Lun Tian e Michael Martina e Gabriel Crossley

WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente chinês, Xi Jinping, tiveram sua conversa mais longa como líderes mundiais, mas a teleconferência de três horas e meia parece ter feito pouco para aproximar as posições distantes das duas superpotências, se é que fez algo.

A mídia estatal da China descreveu a reunião como "sincera, construtiva, substantiva e frutífera".

Uma autoridade graduada dos EUA disse que a conversa durou mais do que se esperava e que os dois lados debateram uma gama ampla de temas, que incluiu o comércio, Taiwan, a Coreia do Norte, o Afeganistão e o Irã.

Nada nas respectivas transcrições levou a crer de imediato que algum dos lados suavizou posições cada vez mais enraizadas que colocam as relações entre as duas maiores economias do mundo em um ponto volátil inédito, particularmente em relação a Taiwan.

E foi difícil ver algum impacto definitivo.

"Parece que eles trocaram opiniões sobre tudo e mais alguma coisa, mas não anunciaram nenhuma decisão ou medida política", disse Scott Kennedy, especialista em China do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington.

"Talvez isto seja revelado nos próximos dias, mas se não for, isto acabou sendo uma recitação das posições básicas dos dois lados. Eles parecem concordar que o relacionamento precisa ter alguns parapeitos e estabilidade, mas não concordam em como chegar lá."

Depois da teleconferência, uma autoridade graduada dos EUA disse que o objetivo da conversa, do lado de seu país, não foi especificamente amenizar as tensões, nem este foi necessariamente o resultado.

"Não estávamos esperando um avanço", disse o funcionário. "Não havia nenhum a relatar."

Segundo a mídia chinesa, Xi havia dito que esperava que Biden pudesse demonstrar liderança política para recolocar a diretriz dos Estados Unidos para a China em uma rota "racional e pragmática", mas pareceu oferecer pouco incentivo para isso, e sim alertas ameaçadores.

Quanto à possivelmente volátil Taiwan, Xi disse que a China teria que adotar medidas decisivas se forças pró-independência cruzarem uma linha vermelha, mas dizendo que EUA e China são "como dois navios que não deveriam colidir".

Daniel Russel, o principal diplomata norte-americano na Ásia no governo do ex-presidente Barack Obama e hoje no centro de estudos Asia Society, observou que os líderes demoraram 10 meses para chegar a uma conversa face a face, ainda que virtual, e deu a entender que outras podem acontecer.

"Deveríamos pensar nisto... como uma de uma série de conversas importantes que podem levar o relacionamento a um curso mais firme enquanto os dois lados continuam a competir furiosamente", avaliou.

(Por David Brunnstrom e Michael Martina em Washington e Yew Lun Tian e Gabriel Crossley em Pequim)

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