Análise: Riquelme, do Vasco, é tipo de lateral em extinção e merece ser preservado

A nostalgia bateu com força no torcedor vascaíno mais velho a cada drible de Riquelme, espremido entre a linha lateral e o marcador do Coritiba. O garoto de 19 anos, destaque na vitória que manteve o time da Colina na briga pelo retorno à Série A, remete a um estilo de lateral tradicionalmente brasileiro e que está em vias de extinção. Por isso, cabe preservá-lo.

A primeira comparação, inevitável, foi com Felipe, hoje técnico do Bangu, que com seus dribles de futsal tão repetitivos quanto imparáveis, explodiu para o futebol brasileiro naquela geração mais vitoriosa da história vascaína, entre 1997 e 2000. Mas Riquelme, neste seu início de carreira nos profissionais, representa algo mais amplo.

Na Europa, esse estilo de lateral é conhecido como lateral brasileiro. É o jogador com não tantos recursos na marcação, mas com grande capacidade criativa pelo lado de campo. Não se destaca pela força física, mas sim pela técnica e o brilho no um contra um, fundamental para que ele consiga alcançar a linha de fundo e fazer o cruzamento rasteiro para trás, o mais perigoso de todos, por pegar os atacantes de frente para finalizar.

Marcelo, do Real Madrid, talvez seja o último grande exemplo de lateral nesse estilo brasileiro. Riquelme, canhoto como o camisa 12 merengue, demonstrou contra o Coritiba ter também qualidade para se livrar da marcação sob pressão adversária ainda no campo de defesa, não rifando a bola, mas com dribles e bons passes verticais.

No time de Fernando Diniz, Riquelme se encaixa taticamente bem por não precisar ser o lateral que avança em diagonal, mais em direção ao meio de campo, movimento em alta nas articulações ofensivas atuais. Seu bom desempenho nas jogadas individuais permite que ele consiga jogar mesmo espremido e não congestione um setor da equipe que já é bem povoado, com Nenê e Marquinhos Gabriel.

Outra lembrança que vem à tona com o bom desempenho de Riquelme naquela faixa de campo é bem mais recente, protagonizada por Talles Magno, atacante que com duas atuações de peso em São Januário, contra São Paulo e Fortaleza, em 2019, virou Talles Mágico.

As oscilações que vieram na sequência, a queda brusca de rendimento, e o adeus sem tristeza quando foi negociado, no começo deste ano, alertam para a necessidade de ter cautela também com Riquelme. São poucos jogos ainda. A sensação de que pode se tornar um lateral especial, representante de um estilo genuinamente brasileiro, existe. Mas o caminho ainda é longo para que isso vire realidade.

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