Análise: rodízio e goleada não iludem Vitor Pereira e não podem iludir o Flamengo

Assim como o empate com o Madureira não gerou desconforto, a goleada sobre o Nova Iguaçu também não é motivo de euforia no Flamengo. Fazer 5 a 0 em um adversário de nível muito inferior na semana da final da Supercopa contra o Palmeiras é apenas um treino de luxo. E com seriedade a equipe mista encarou o desafio no calor do Maracanã e conquistou mais três pontos na Taça Guanabara, da qual agora é líder, com 10 pontos.

A estratégia do clube, como de costume, tem sido aproveitar o início de temporada para rodar o grupo e promover um equilíbrio de minutos entre os considerados titulares e reservas. Como pontos positivos, além dos dois gols de Gabigol, dois de Pedro, e um de Fabrício Bruno, esteve a volta de Filipe Luís, que atuou por mais tempo que o esperado, e uma boa atuação dos substitutos de Arrascaeta e Gabigol — Cebolinha e Matheus França. Ainda assim, a fartura não pode iludir o Flamengo. Nem a de gols, menos ainda a da quantidade de opções por posição.

O técnico Vitor Pereira exibiu preocupação com a fase defensiva para encarar adversários mais pesados, mas ofensivamente entende que o foco é promover aproximação e busca por espaço tanto de quem tem característica de atacar por fora, como por dentro. Além da dupla de suplentes, Marinho também se movimentou bem nesse sentido. E o meio-campo inicial com Pulgar e Gerson foi bem nos bloqueios, nem tanto nas perseguições que o técnico cobra na perda da bola.

Na tarde de festa, Matheuzinho aproveitou a chance com boa assistência para Pedro abrir o placar. E ainda serviria Gabigol, que entrou na etapa final, e também completou cruzamento de Filipe Luís. Na Supercopa e no Mundial de Clubes, a realidade será bem diferente. Por isso, o comandante rubro-negro indicou que vai usar a próxima semana justamente para trabalhar o time titular de olho nas partidas com maior exigência, e lançará reservas com alguns jovens da base no compromisso diante do Bangu, nesta terça-feira, com viagem para Volta Redonda.

É momento de dosar. Não porque o Flamengo não tem opções. Mas precisa delas. Na coletiva após a goleada, VP enfatizou a necessidade de buscar um terceiro lateral de cada lado. Tem Varela em fase de adquirir melhor ritmo e Matheuzinho querendo jogo, mas nenhum dos dois na ponta dos cascos. Do lado esquerdo, Filipe Luís voltou com a qualidade de sempre, mas cansou. Precisará ser usado com inteligência e revezar com Ayrton Lucas. O mesmo vale para Vidal, David Luiz, dois veteranos.

Pulgar e Gerson, nesse sentido, ocupam posição com maior fartura, revezando com Thiago Maia e Vidal, mesmo com iminente saída de João Gomes. No ataque, seja com pontas ou mais por dentro, há alternativas, muitas com jovens como Matheus França. A inconsistência de Marinho, que fez bom jogo, é sempre incógnita, e Cebolinha em crescimento físico pode ser o fator a mais para que não haja dependência do quarteto formado por Arrascaeta, Ribeiro, Gabi e Pedro. Ainda não chegou este ponto.