Análise: Seleção se divide entre o ataque ideal e o real para vencer a Copa do Catar

Raphinha, Lucas Paquetá, Neymar e Vini Jr. jogaram juntos pela primeira vez no amistoso contra o Japão, antepenúltimo do Brasil antes da estreia na Copa do Mundo. Não foi exatamente a estreia dessa formação com esse tipo de quarteto: contra o Chile, em março, no Maracanã, pelas Eliminatórias, a seleção teve Antony no lugar do atacante do Leeds United e o mesmo conceito tático.

Independentemente de um ou de outro na equipe, é a formação ideal do ataque da seleção no momento. Tite não esconde a disposição em escalar dois pontas abertos, Lucas Paquetá e Neymar mais centralizados. Uma escalação que permite ao treinador reunir os mais regulares neste último ciclo para o Catar - Paquetá e Neymar - com o jogador que mais cresceu na temporada europeia - Vini Jr.

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O jogo contra o Japão promoveu o encontro do ataque ideal com o mundo real. César Sampaio, auxiliar de Tite, afirmou em entrevista coletiva que a partida foi na temperatura da Copa do Mundo. E foi mesmo: muitas faltas por parte dos japoneses, acima do esperado em um amistoso e, principalmente, uma forte retranca.

Os japoneses se defenderam como se o resultado no Estádio Nacional valesse pontos no Mundial. O Brasil pode ter certeza, encontrará no Catar adversários dispostos a marcar dessa forma, especialmente na primeira fase e nas oitavas de final. Dispostos a abrir mão quase que completamente do ataque para superpovoar o espaço atrás da linha da bola.

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O teste foi ótimo por proporcionar isso ao Brasil, mas revelou também que o ataque dos sonhos ainda não está pronto para vencer no mundo real. Houve lampejos de inspiração, mas erros também. Especialmente quando conseguiu contra-atacar, uma raridade nesta segunda-feira, o time pecou pelos passes em excesso, o drible a mais. Tipo de coisa que jogadores como os quatro escalados tendem a procurar. Quem tem talento sobrando costuma tentar mostrá-lo quando tem a chance.

Vini Jr. foi se movimentar para abrir espaço para Guilherme Arana e Neymar na esquerda e em vez de ficar no meio de campo, foi lá para o outro lado, a direita, onde estava Raphinha. Engarrafaram o setor e deixaram a equipe torta. Dá para abrir espaço para a subida do lateral de outra forma. Contra a Coreia do Sul, Alex Sandro foi destaque ofensivo sem o time se embaralhar tanto.

A verdade é que o tempo é curtíssimo até a Copa do Mundo. O ataque ideal, para vingar no mundo real, talvez precise de mais horas de jogo e treino do que o disponível até a estreia, dia 24 de novembro, contra a Sérvia. Se for o caso, pode prevalecer, nos amistosos, talvez já dentro do Mundial em andamento, a necessidade de se escalar um ataque real.

Essa formação menos espetacular e mais factível conta obrigatoriamente com um homem de referência. Esse jogador é Richarlison no momento. Pode ser Matheus Cunha e até Firmino, em uma reviravolta improvável até o Catar. Quando o atacante do Everton entrou em campo no segundo tempo contra o Japão, fez o pivô, ocupou a área, sofreu pênalti que Neymar converteu. Impossível pensar na saída de Neymar do time para a escalação do Pombo. O ataque real exigiria o sacrifício de Vini Jr. ou Lucas Paquetá.

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