Análise: Sinergia com a torcida e time com identidade cimentam melhor versão da Argentina para 2022

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Quase 14 mil quilômetros separam a Argentina do Qatar, sede da próxima Copa do Mundo, em novembro do ano que vem. A distância, que é peculiar a todas as seleções sul-americanas, dá um tom irônico a comentários sobre apoio e sinergia com torcedores. Mas a demonstração de conexão entre o time da Argentina e os mais de 19 mil torcedores que estiveram presentes no Estádio del Bicentenario, em San Juan, para acompanhar o empate em 0 a 0 com o Brasil, pelas eliminatórias sul-americanas, retrata o bom momento de uma equipe que moldou sua melhor versão em quatro anos.

Com a igualdade no clássico desta terça-feira e a vitória por 2 a 0 do Equador sobre o Chile, Messi e companhia garantiram matematicamente a vaga no Qatar. Com mais quatro rodadas a disputar — sem contar o clássico com o Brasil do primeiro turno, ainda indefinido —, a equipe segue invicta na competição.

A Argentina que empatou o clássico tem o que acostumou seus torcedores e o rivais a assistirem. Se nem sempre ofensiva, tem vocação para ocupar o campo do adversário e envolver com um toque de bola e movimentação inteligentes. Ao mesmo tempo, sabe tomar conta do lado mental, seja na catimba ou na concentração. O controle dos jogos levou a uma campanha de 20 gols marcados e apenas 6 sofridos, números inferiores apenas ao líder Brasil.

A equipe de Scaloni ainda aumentou uma invencibilidade que já dura 27 jogos. Um período sem derrotas que envolveu uma bela Copa América, com a inesquecível vitória sobre os comandados de Tite na final, que encerrou uma espera de mais de duas décadas sem grandes títulos. Ex-auxiliar, o treinador de 43 anos suportou a pressão no início de trabalho e as críticas do caminho enquanto modelava a atual albiceleste. Os argentinos encontraram uma identidade que fez falta na Copa de 2018, na Rússia.

A eletrizante derrota para a campeã França nas oitavas pode ser encarada com normalidade em termos competitivos, mas o caos no vestiário — refletido em campo — durante a gestão Sampaoli deixou a impressão de que aquele time poderia muito mais. Afinal, junto ao Brasil, a Argentina segue como uma das maiores fábricas de talentos do mundo. Atrás apenas dos brasileiros, os hermanos foram a segunda nacionalidade que mais movimentou transferências internacionais nos últimos dez anos, segundo relatório da Fifa.

Os estouro de talentos como o de Lautaro Martínez ajudaram, mas a aposta em jogadores com perfil de liderança, carismáticos e com grande qualidade técnica, como Rodrigo de Paul e o goleiro Emiliano Martínez tem todos os créditos de Scaloni. Assim como ter encontrado a melhor forma para que Messi renda na equipe — o camisa 10 parece satisfeito como nunca se viu na seleção.

Menos anárquica, mais empolgante, perigosa e ciente do time que é, a Argentina se prepara para embarcar ao Qatar no fim do ano que vem. Não ouvirá os gritos de Buenos Aires ou de San Juan por lá, mas sabe que tem total potencial para bater de frente com outras equipes gigantes como os rivais brasileiros.

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