Análise: Superior ao River Plate, Fluminense mostra que pode ser competitivo na Libertadores

Rafael Oliveira
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É claro que todo torcedor gosta de ver sua equipe vencer. Principalmente quando se trata da estreia de seu time, em casa, no principal torneio continental — do qual ele não participava há oito anos. Mas o empate do Fluminense em 1 a 1 com o River Plate deve ser encarado com otimismo pelos tricolores. Não apenas porque a equipe segurou um dos gigantes da América do Sul. Mas pela forma como isso se deu.

O torcedor viu um Fluminense que não começou bem, mas soube se encontrar ao longo da partida e saiu de campo sem dúvidas de que foi superior ao rival. Nos 90 minutos, os tricolores criaram mais e tiveram mais chances do que os argentinos: foram cinco chutes na direção do gol contra três. Um desempenho que não só mostra o caminho a ser seguido como pode ser usado para trabalhar a confiança dos jogadores no decorrer da competição.

O próximo compromisso será em menos de uma semana. Na próxima quarta, o time visita o Independiente Santa Fe, da Colômbia. O Grupo D é completado pelo também colombiano Junior Barranquilla.

— Sabemos que o River Plate vem sendo um dos favoritos já há seis, sete anos. Mas também temos elenco pra brigar por muita coisa — atestou Cazares.

O equatoriano, aliás, foi uma das razões para o otimismo tricolor. Já na estreia, mudou a cara do jogo ao entrar. Distribuiu passes precisos — entre eles, a assistência para o gol de Fred — e por pouco também não marcou. Mostrou que pode ser uma ótima opção para a criação, até então dependente do veterano Nenê. Só precisa evitar a oscilação já conhecida dos tempos de Atlético-MG e apresentar mais regularidade em suas atuações.

O jogo

Mais estabilidade é que faltou também ao time de Roger Machado no Maracanã. O jogo já começou com o Fluminense muito mal nos passes. Nos primeiros 45 minutos, errou mais de um quarto de suas tentativas: 26% de toques incompletos. Foi num desses, inclusive, que o River Plate iniciou a jogada do gol. Aos 11, Yago Felipe falhou na intermediária, e a bola sobrou para os argentinos. Borré recebeu pelas costas de Egídio e foi derrubado por Marcos Felipe. Pênalti que Montiel converteu com categoria.

Este excesso de erros não pode ser atribuído apenas ao nervosismo ou à falta de experiência do time carioca, que iniciou a partida com apenas três atletas com experiência em Libertadores (Egídio, Nenê e Fred). Taticamente, os tricolores não se encaixaram na primeira metade do jogo. Com a bola, Martinelli e Yago ficaram muito presos atrás. Com isso, formou-se um buraco no meio, o que forçou os jogadores a tentarem passes mais longos.

A equipe só conseguia avançar pelos lados. Principalmente com Luiz Henrique e Kayky. Os dois usaram a velocidade e a facilidade para o drible para dar infiltração. O problema é que esta previsibilidade ajudou a marcação do River, e o Fluminense só conseguiu levar perigo na bola aérea.

O maior sinal de que o time de Roger Machado tropeçou mais nos próprios erros do que no adversário é o fato de que o único chute a gol dos argentinos no primeiro tempo foi o pênalti. Apesar da maior posse de bola, o River foi um time com muita dificuldade para construir. Seu maior mérito foi mesmo a marcação adiantada que dificultou ainda mais a vida dos tricolores.

Na etapa final, as entradas de Gabriel Teixeira na vaga de Kayky e, principalmente, de Cazares na de Nenê melhoraram a dinâmica da equipe. Se taticamente a mudança não foi significativa, o Fluminense ganhou mais mobilidade e criatividade com o equatoriano, cujas valências caem como uma luva para o esquema de Roger Machado, que prioriza os contra-ataques.

Aos 21, o meia deu um excelente passe para Fred, que concluiu de primeira com muita categoria para empatar o jogo. Ele marcou seu gol de número 183 e ficou a apenas um de Orlando Pingo de Ouro, o segundo maior artilheiro da história do Fluminense. A dupla contou com a vantagem de já ter atuado junta no Atlético-MG, o que explica o rápido entrosamento.

— Já sabia que ele ia fazer a diagonal, que eu só precisava deixar (a bola) na frente dele. Como falam, ele é matador, é artilheiro. A única coisa que posso fazer é deixá-lo na cara do gol para comemorar — comentou o equatoriano. Fico feliz pelo empate. Claro que queríamos a vitória. Mas no futebol isso acontece. Temos que trabalhar mais porque na Libertadores vem muito mais pela frente.

Cazares quase se consagrou ainda mais aos 32, quando deixou Lucca cara a cara com o goleiro Armani. Mas o atacante finalizou muito mal e desperdiçou a chance de fazer os tricolores estrearem com vitória.