Análise: Troca de técnico foi cartada da diretoria para não naturalizar o Vasco fora do G4 na série B

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RIO - A demissão de Marcelo Cabo nesta segunda pode ter surpreendido parte da torcida e da imprensa, como o próprio diretor de futebol Alexandre Pássaro admitiu, principalmente a considerar que o treinador já havia passado por momentos de mais pressão na temporada. Mas a explicação do dirigente dá evidências de como o clube não quis tratar como normal o fato do Cruzmaltino não ter entrado no G4 em nenhuma rodada sequer até aqui na Série B.

Em 2021, o Vasco faz o seu pior início de Série B, considerando as 12 partidas iniciais de todas suas participações no campeonato. Já o novo nome, Lisca, anunciado nesta terça, tem bom retrospecto como "bombeiro" na carreira e é a aposta da diretoria para o time engrenar de vez.

Compare os desempenhos nos 12 primeiros jogos de cada série B:

2009: 23 pontos (6 vitórias , 5 empates e 1 derrota)

2014: 19 pontos (4 vitórias, 7 empates e 1 derrota)

2016: 25 pontos ( 9 vitórias, 1 empate e 2 derrotas)

2021: 18 pontos ( 5 vitórias, 3 empates e 4 derrotas)

Metas desde a derrota contra o Avaí

Algumas falas de Pássaro, que gravou pronunciamento ao Vasco TV nesta segunda, são sintomáticas. Após passar da clássica introdução de agradecimento a Marcelo Cabo por sua dedicação, o dirigente explicou que a cúpula não estava satisfeita com o combo de resultados aquém do objetivo e desempenho abaixo do esperado. O diretor defendeu, então, que a demissão não se deu por um impulso de frustração após o empate, em casa, com o líder Náutico, mas sim devido ao "planejamento", em especial traçado "desde aquele jogo do Avaí".

A derrota para o Avaí, que era o então lanterna da competição, por 2 a 0 dentro de São Januário, foi o momento de maior questionamento e pressão da torcida sobre o trabalho de Cabo. Mas a diretoria optou por mantê-lo, e, como ficou implícito na fala de Alexandre Pássaro, estabeleceu uma nova meta para o treinador. Entrar no G4 em até um mês pode ter sido um dos objetivos, já que 33 dias depois, e ainda fora do G4, Cabo foi demitido.

Nesse período de um mês desde a derrota para o Avaí, o Vasco somou oito partidas, com quatro vitórias, dois empates e duas derrotas. Era nítido que os resultados haviam melhorado, mas, recorrendo a outra justificativa dada pelo diretor de futebol "nos jogos do tamanho do Vasco da Gama, a gente não teve nem resultado e nem rendimento do tamanho que a gente esperava". Ou seja, o time continuava fora do G4 e tampouco apresentava atuações convincentes.

Mudanças táticas

Nas últimas semanas, Cabo fez ajustes na proposta do jogo: o time passou a ter menos posse de bola, com postura mais reativa. Como positivo, sofria menos na defesa, o que era um problema no início do campeonato. Contra o Avaí, por exemplo, o Vasco teve 62% de posse e 19 finalizações. Já na partida da sequência - vitória de 3x0 sobre o CRB - a equipe teve as mesmas 19 finalizações, mas com apenas 38% de posse.

Nos último três jogos, em que encarou a sequência considerada, até então, a mais difícil da tabela, por serem adversários no G4, a média foi de 44% de posse de bola (30% contra o Sampaio Correia, 48% contra o Coritiba e 54% contra o Náutico). Como agravante, no domingo a equipe voltou a sofrer com gol de bola parada.

Taticamente, o time também mudou. Por opções técnicas, além de problemas de desfalque por suspensão ou lesão, o time acabou migrando do 4-3-3 para o 4-4-2. Assim, perderam espaço atacantes como Morato e Léo Jabá, enquanto o jovem MT, que surgiu como boa opção para meia esquerda assumiu a titularidade. A defesa passou a jogar mais bem protegida, mas as opções criativas, muito focadas num oscilante Marquinhos Gabriel, continuavam escassas. No final, imperava a já conhecida dependência sobre os gols de Cano.

A conclusão da diretoria foi clara: para um clube do tamanho do Vasco jogar de forma reativa na série B, ao menos os resultados precisavam aparecer. Mas a realidade hoje é de oitava colocação após 12 partidas e o pior desempenho, até aqui, em todas edições de Série B que já participou. São quatro derrotas nesse início, a soma de todas as derrotas que o Vasco teve nos recortes de 12 primeiros jogos de cada participação na Série B.

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