Ana Beatriz Barros relembra dia em que desmaiou por causa de corselete apertado

Gilberto Júnior
Blusa Flavia Aranha, calça Gilda Midani e colar Sauer.

A top Ana Beatriz Barros, de 37 anos, entra o ano-novo em compasso de espera. Na sua segunda gestação, a mineira de Itabira, mesma cidade do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), defende a beleza do inesperado. Orgulhosa do barrigão de oito meses, ela conta ainda não ter escolhido o nome do filho que vai nascer no Brasil, assim como o primogênito Karim, de 2 anos. “Não sei como vou chamar o caçula. Farei isso assim que olhar para o seu rosto.”

Casada com o empresário egípcio do ramo de hotelaria Karim El Chiaty, Ana Beatriz se divide entre Londres e Cairo, onde tem residências. “Inclusive, as pessoas do Egito acham esquisito que eu tenha batizado meu filho mais velho com o nome do pai. A tradição local é que o avô seja homenageado”, observa. “A família do Karim é cabeça aberta e liberal. No entanto, confesso que acho realmente estranho ver mulheres de burca andando pelas ruas.”

Ela conta que vive numa verdadeira Torre de Babel. O marido fala francês com o filho; ela, português. Entre si, o casal elegeu o inglês como idioma oficial. “E ainda existe o árabe no meio de tudo isso. Para mim, é extremamente importante que meus bebês tenham relações com minha terra”, comenta. “Sou uma mãe tranquila e repito a educação que ganhei dos meus pais, com limites e respeito às diferenças. Hoje, a família é minha prioridade.”

Há mais de duas décadas na indústria da moda, Ana Beatriz conquistou um prestígio que a coloca no hall das grandes modelos do mundo. O agente Sérgio Mattos lembra que seu encontro com a mineira, em 1996, foi paixão à primeira vista: “Ela era bastante tímida e usava aparelho nos dentes. Tivemos muitas aulas de passarela e, no fim, Aninha, com apenas 14 anos, acabou vencendo a etapa nacional do concurso Elite Model Look, ficando em segundo na seleção mundial”. As brasileiras ainda não estavam na crista da onda. “Tive que suar para conquistar meu lugar ao sol. Aos 17, veio a minha grande chance: a campanha da Guess, ao lado de Alessandra Ambrosio. Depois desse episódio, comecei a trabalhar bem.”

Correção: a modelo bombou. De repente, ela estava em todas as passarelas que importavam: Valentino, Jean Paul Gaultier, Versace e Dior (nos tempos em que o estilista inglês John Galliano pilotava a grife francesa). “Era completamente alucinada pelo Galliano, fã incondicional. O desfile da marca era maravilhoso, o ponto alto da semana de moda de Paris. Em 2011, o designer acabou se envolvendo num escândalo antissemita (ele ofendeu um casal de judeus em um bar de Paris), que resultou em sua saída da grife. Não sei se ele acreditava, de fato, naqueles xingamentos. Fiquei triste, mas ele parece estar feliz no comando da Maison Margiela.”

Foi numa apresentação de alta-costura da Dior, em 2004, que Ana Beatriz viveu um dos momentos mais dramáticos de sua carreira. Sem conseguir respirar por causa do corselete apertado, desmaiou nos bastidores. “Ao contrário das instamodels(como são chamadas as meninas que somam milhões de seguidores nas redes sociais), não tínhamos que expor nossas vidas nas redes sociais, mas era preciso perder o fôlego, literalmente, para estar num desfile relevante (risos). Sempre existirão obstáculos pelo caminho. Ninguém chega ao topo sem sofrer e passar por perrengues.”

Ainda nos anos 2000, foi eleita a garota mais sedutora do mundo por soldados americanos baseados no Iraque. “Eles me viram numa ação da Victoria’s Secret na TV. Até pensei em visitá-los, mas o país estava em guerra. Fiquei com medo”, comenta Ana Beatriz, que encara o envelhecimento com naturalidade. “Não tenho o que fazer, né? É melhor aceitar do que ficar pelos cantos. Aceitei e sou feliz. Mas não deixo de frequentar a clínica da minha irmã, que é dermatologista. Ela não passa dos limites. Uma vez por ano, aplico botox na testa, faço laser para estimular a produção de colágeno e malho à beça. Sempre fui vaidosa. Desde pequena, gosto de salto e maquiagem. Batom era quase meu uniforme de colégio.”

De olho nos exemplos das supermodelos Cindy Crawford e Helena Christensen, ambas acima dos 50, Ana Beatriz não cogita aposentadoria da moda. “Estou adorando esse movimento democrático na indústria. Há espaço para todo mundo: altas, baixas, magras, gordas... Não existe mais aquela história de que fulana está velha. Vou ficar até quando eu quiser. Estamos começando uma nova década.”