Ana Marcela, Piu e Arthur Nory: conheça alguns dos atletas militares do Brasil nos Jogos de Tóquio

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RIO - Ao subir no lugar mais alto do pódio nesta terça-feira, enquanto o hino brasileiro era entoado na marina de Odaiba, a nadadora Ana Marcela Cunha prestava continência após ser campeã da maratona aquática. Horas antes, o corredor Alison dos Santos, o Piu, realizava o mesmo gesto depois de receber a medalha de bronze nos 400 metros com barreira. Os dois estão entre os 92 atletas militares do Brasil que integram a delegação olímpica dos Jogos de Tóquio.

Segundo dados do governo, mais de 30% entre os 302 competidores brasileiros na atual edição participam do Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR) do Ministério da Defesa — iniciativa criada em 2008 durante a gestão de Lula. Entre as 35 modalidades que eles disputam na Olimpíada, sete delas são compostas exclusivamente por atletas militares, como o boxe, que igualou o recorde de medalhas no mesmo evento olímpico.

Não à toa as conquistas brasileiras são exaltadas nas redes sociais do Ministério da Defesa, que criou inclusive um quadro de medalhas paralelo com a distinção daquelas obtidas por atletas militares. Até agora, entre os 15 medalhistas olímpicos do país — sem contar aqueles que já garantiram lugar no pódio mas ainda brigam pelo ouro —, seis têm patentes das Forças Armadas. Além de Ana Marcela e Piu, o judoca Daniel Cargnin, o nadador Fernando Scheffer, a velejadora Kahena Kunze e o boxeador Abner Teixeira fazem parte da lista.

A continência no pódio, no entanto, não é novidade. Nos Jogos do Rio-2016, atletas como os ginastas Arthur Zanetti e Arthur Nory, o judoca Rafael Silva (o Baby) e Bruno Schmidt, do vôlei de praia, aderiram ao gesto. Participantes também dos Jogos de Tóquio, eles não puderam repetir a celebração por não chegarem entre os três primeiros de suas respectivas modalidades.

Veja abaixo alguns atletas militares da atual delegação brasileira:

Abner Teixeira

Ficou com o bronze na categoria peso-pesado após perder na semifinal para o cubano Julio La Cruz, favorito no confronto. Conhecido por ser um canhoto com golpe certeiro, começou no esporte frequentando as aulas do projeto social "Boxe – Uma Luz Para o Futuro". Seu grande momento foi o título no Campeonato Mundial de Boxe, na Rússia. Está entre os três pugilistas mais bem classificados das Américas.

Alison dos Santos (Piu)

Após quebrar o recorde sul-americano com o tempo de 46s72, Alison faturou o bronze nos 400m com barreira em Tóquio. Sexto colocado do ranking mundial, ele quase abandonou o atletismo por pressão da família para que ganhasse algo com o esporte. Foi uma bolsa-atleta de R$ 370 que evitou o fim precoce da carreira. Antes de completar um ano de vida, passou 10 meses internado, vítima de queimaduras de terceiro grau em um acidente doméstico, cujas cicatrizes são visíveis.

Ana Marcela Cunha

A baiana de 29 anos conquistou o primeiro ouro do Brasil na maratona aquática em uma Olimpíada. Era a medalha que faltava para a detentora de outras 11 em Mundiais. Além disso, foi eleita a melhor nadadora de águas abertas do mundo pela Federação Internacional de Natação em seis ocasiões.

Arthur Nory

Filho de mãe nadadora e pai judoca, tentou primeiro o judô e sempre foi um apaixonado por vôlei. Na ginástica se encontrou e conquistou bronze na Rio-2016. Ativo nas redes sociais, o paulista de 27 anos sofreu com críticas de usuários em 2015 por se envolver em um episódio de racismo contra um colega de equipe. Esperança de medalha, encerrou sua participação na atual edição com uma queda.

Arthur Zanetti

Aos 31 anos, desembarcou em Tóquio com status de maior ginasta do Brasil. Ele poderia se tornar o primeiro brasileiro a conquistar ao menos uma medalha em três Olimpíadas consecutivas e o primeiro ginasta na história a conseguir três pódios nas argolas. Ouro em Londres-2012 e prata na Rio-2016, encerrou sua participação em oitavo lugar na atual edição.

Beatriz Ferreira

A boxeadora de 29 anos já assegurou ao menos o bronze, mas segue na disputa pelo ouro na categoria peso-leve, na qual entrou como uma das favoritas em Tóquio. Nas 30 competições que disputou, subiu no pódio em 29. Ingressou no esporte ainda aos 4 anos, por influência do pai Raimundo Ferreira, também lutador.

Daniel Cargnin

Um dos judocas mais promissores da modalidade no país, ele conheceu o judô aos 6 anos por influência de um amigo que também praticava. Seu hobbie à época era jogar futebol, mas acabou influenciado pela mãe a seguir outros rumos. Aos 17 anos, deixou a casa dos pais para apostar na modalidade. Em 2019, com Covid-19, Daniel não pôde disputar o Mundial de Judô. Em Tóquio, deu a volta por cima ao ficar com o bronze na categoria até 66 kg.

Fernando Scheffer

Medalhista de bronze nos 200m livre, o nadador chegou a treinar em um açude durante a pandemia. Magro e de pernas e braços compridos, ele era comparado ao quadro Abaporu. Isso lhe rendeu o apelido de Monet, em alusão ao pintor francês – embora a obra seja da brasileira Tarsila do Amaral. Fez parte do revezamento 4x200m livre ouro no Mundial de piscinas curtas, em 2018, e ainda faturou dois ouros no Pan de Lima-2019.

Lucas Verthein

Atleta do Botafogo, o carioca de 23 anos teve em Tóquio o melhor desempenho da história de um brasileiro no remo em Jogos Olímpicos. Mesmo sem medalha, alcançou a semifinal no single skiff. Conciliava o esporte com o trabalho na loja de manutenção de eletrônicos de um amigo e entregas de comidas da loja da mãe.

Kahena Kunze

Bicampeã olímpica ao lado de Martine Grael, começou a praticar a vela ainda na infância e só parou brevemente para se dedicar à faculdade de Engenharia Ambiental. Foi porta-bandeira do Brasil nos Jogos Pan Americanos de Lima, em 2019, e medalhista de ouro na Rio-2016. Em Tóquio, repetiu a dose e conquistou o 19º pódio brasileiro na modalidade.

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