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Tchau, querido? Simone Tebet aponta (de novo) o caminho do impeachment

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“Não basta analisar os fatos isoladamente. Para acontecer o impeachment, numa democracia moderna, é preciso que haja uma tempestade perfeita”.

A autora da frase é Simone Tebet, senadora do MDB do Mato Grosso do Sul, destaque e integrante extraoficial da CPI da Pandemia. Ela foi dita em agosto de 2016. Referia-se ao processo que afastou a petista Dilma Rousseff da Presidência, contra quem, segundo ela, o crime de responsabilidade, no caso das pedaladas, havia sido provado por um perícia técnica do Senado.

Quase cinco anos depois, e diante de uma nova tempestade perfeita, Tebet diz, em entrevista ao Yahoo Notícias, ver elementos, já identificados pela CPI, que podem basear a abertura de impeachment contra Jair Bolsonaro pela Câmara dos Deputados. 

Entre esses elementos estão a adoção da tese de imunidade de rebanho e atraso na compra de vacinas contra a covid-19 —ela é cautelosa, porém, ao analisar a suspeita de prevaricação do presidente ao ser alertado, pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF), sobre possíveis irregularidades na compra da Covaxin. Isso porque Bolsonaro, embora não tenha acionado a Polícia Federal, tem como carta a defesa de que passou o caso para Eduardo Pazuello. (Seria ele um outro aliado jogado na estrada? A ver).

O fato é que a fala da senadora, se não acende, deveria acender o alerta sobre o governo do capitão.

Tebet está longe do estereótipo do opositor à esquerda desenhado por Bolsonaro e companhia para fugir das acusações.

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Filha do ex-presidente do Senado Ramez Tebet (1936-2006), a parlamentar é integrante da bancada ruralista, da qual é uma espécie de porta-voz, já presidiu a Comissão de Constituição e Justiça da Casa e foi uma das mais destacadas lideranças em defesa do impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Tem estrada, portanto, para apontar onde está desguarnecida a retaguarda do capitão para fugir do processo. Advogada, ela fala da CPI na terceira pessoa do plural para garantir: “já temos os elementos probatórios em relação ao contrato da Covaxin”.

Os elementos probatórios passam por uma análise técnica sobre uma nota de empenho que até poderia ser feita, mas impedia a assinatura do contrato por não haver leis permitindo a compra de vacinas sem autorização da Anvisa ou similares de outros países. “Tínhamos Invoices (ordens de pagamento) equivocadas, que não eram apenas erros formais, com pagamento antecipado, com doses erradas, para pagar para uma empresa que não constava no contrato.”

O posicionamento de Simone Tebet, que já estava sinalizado em sua atuação na CPI, marca simbolicamente o afastamento de ao menos uma parte do agronegócio em relação a um presidente que passou parte do mandato comprando brigas com compradores internacionais, sobretudo os chineses. Tempestade perfeita, lembra?

No início do mandato, era possível dizer que a senadora tinha mais pontos de conexão com o atual presidente do que diferenças. Ela é autora, por exemplo, da proposta que altera o Estatuto do Índio e que proíbe demarcação de terra indígena quando há conflito em áreas ocupadas. 

Se a tempestade perfeita, para quem acompanhou a senadora em 2016, soa hoje como déjà-vu, a razão não é outra se não o esfacelamento de um pensamento desejoso expresso por ela e seu partido quando o MDB estava prestes a assumir a Presidência da República com Michel Temer.

Na época, Tebet afirmava que o impeachment de Dilma Rousseff representaria a transposição de barreiras que impediam o desenvolvimento do país. “Há um muro muito grande a separar o povo brasileiro de seu futuro e é esse muro que venho a partir de hoje derrubar. É o muro da crise econômica, social e institucional, da instabilidade e da insegurança jurídica”, disse antes de votar pelo “sim”.

A mudança levou a Bolsonaro, o presidente que, nas palavras da senadora, apostou na imunidade de rebanho, desdenhou das vacinas corretas, deu elementos de crimes de responsabilidade na compra de outras e levou o país a mais de meio milhão de mortos.

Se esses elementos probatórios vão levar à abertura e, mais que isso, ao avanço do impeachment, são outros 500. Mas já estão na conta de quem teve papel destacado na mudança de governo em 2016. Estão longe, portanto, de serem palavras ao vento.

Bolsonaro deveria ouvi-las.

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