Analise: Seleção Brasileira feminina começa novo ciclo com pé direito após duas vitórias contra a Argentina

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O saldo da Seleção Brasileira após os dois jogos contra a Argentina foi positivo, e não só em relação ao placar das duas vitórias, 3 a 1 e 4 a 1 respectivamente. Depois da eliminação frustrante nos Jogos de Tóquio, quando perdeu para o Canadá nos pênaltis nas quartas de final, havia algumas dúvidas em relação ao time de Pia Sundhage. Mas, como diz o samba, o show tem que continuar. Com jogadoras novas, tanto em convocação quanto em idade, e mudanças táticas, a treinadora sueca demonstrou saber quais são as necessidades do Brasil nesse novo ciclo que visa a Copa América no ano que vem, o Mundial de 2023 e as Olimpíadas de 2024.

Uma das principais questões a ser apresentadas, se não a principal, era o processo de renovação das jogadoras. Nomes renomados como Cristiane e Formiga, já não fazem mais parte do plantel. Mas por outro lado, outros como o de Nycole e Angelina reverberaram. A atacante jogou bem, marcou um gol e se mostrou bastante útil na bola parada, com uma linda cobrança de falta no travessão na primeira partida, e assistência para Kerolin na segunda. Já a meia, que herdou a histórica camisa 8 da amarelinha, dominou o meio de campo – que aliás é um ponto que Pia precisa ter atenção – e também balançou as redes.

Quem também brilhou foram as laterais Bruninha, do Santos e Yasmin, do Corinthians. A santista, titular no primeiro jogo, foi bastante elogiada por Pia por seu equilíbrio ofensivo e defensivo. Segura atrás, foi dela a jogada para o gol de Nycole, quando em movimento de saída da lateral direita para o meio, encobriu a defesa argentina e deixou a atacante na frente da goleira.

Já a corintiana, entrou na etapa final do segundo amistoso no lugar de Tamires, companheira de clube, e com somente seis minutos em campo, deu uma assistência para Debinha, que continua sendo o grande destaque da seleção, e marcou um gol. A substituição, simbólica, representa bem a nova fase da Seleção Brasileira feminina.

— O objetivo era esse. Continuar com nossa renovação e fazer algumas mudanças, tanto táticas quanto na renovação. Óbvio que a equipe ainda é muito nova, até o sentimento de todas as meninas, de fecharem as linhas, mas fico muito feliz pelas meninas estarem conseguindo pegar tudo — disse a zagueira Érika após a partida.

A nova Marta

Em entrevista ao Esporte Espetacular, a técnica Pia Sundhage falou sobre esquema tático enfatizando o posicionamento e a continuidade de Marta na seleçao. Segundo ela, pelo fato da camisa 10 não ser mais tão veloz, talvez seja necessário coloca-la para jogar mais a frente, um pouco mais próxima do gol, mas que tudo dependeria da vontade da camisa 10. Depois do jogo, a craque, que marcou um golaço de falta, foi curta, porém precisa, ao expressar seu desejo.

— Estamos trabalhando para isso.

Quem parece ter gostado do que viu em relação à craque seis vezes eleita a melhor do mundo foi Pelé. Em foto publicada nas redes sociais, o rei, que se recupera de retirada de um tumor no cólon, assistia o jogo e olhava com admiração para a imagem que destacava Marta, que com o gol de hoje, aumentou ainda mais a distância para o ídolo na artilharia da Seleção Brasileira (117 contra 77).

— É um motivo de alegria saber que ele está se recuperando aos poucos. Torcemos pela recuperação total do nosso rei, e é uma honra saber que ele está acompanhando o futebol feminino. Todos nós estamos torcendo pela recuperação do rei e queremos que ele fique conosco no mundo por muitos e muitos anos — disse Marta após a partida.

Olho no meio campo

Falando em esquema tático, um setor que ainda aparenta precisar de mais ajustes é o meio campo. Jogando apenas com apenas duas meias, Angelina e Duda, e outras duas pontas abertas, mais próximas da dupla de ataque, a Seleção Brasileira fica muito refém da velocidade pelas laterais. Com isso, Debinha acaba ficando sobrecarregada pela esquerda, lado mais forte do time, e que também conta com Tamires.

Até a chegada das principais competições, mudanças ainda devem ser feitas e novos nomes podem surgir, mas a impressão deixada pela Seleção Brasileira nesse novo início de ciclo foi positiva.

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