Anatel autoriza satélites de Elon Musk no Brasil. Entenda como funciona a tecnologia

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BRASÍLIA — A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu aval, nesta sexta-feira, para a Starlink, empresa do bilionário sul-africano e fundador da SpaceX Elon Musk, operar satélites de órbita baixa no Brasil.

Além da Starlink, a Anatel também aprovou a operação no Brasil da Swarm. São as primeiras autorizações para operação desse tipo de satélite no país.

O funcionamento desses equipamentos no Brasil está entre as prioridades do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que em dezembro chegou a encontrar Musk para debater o oferecimento do serviço no Brasil.

O ministro quer usar a tecnologia para levar internet para áreas rurais e lugares remotos, além de ajudar no controle de incêndios e desmatamentos ilegais na floresta amazônica.

O conselheiro da Anatel e relator do processo, Vicente Aquino, afirmou que a autorização tem abrangência nacional, mas a empresa deve atuar principalmente em regiões rurais ou remotas.

O uso de satélites para a oferta de conexão à internet não é novidade. Entretanto, até poucos anos atrás, esse link era feito por satélites geoestacionários, que ficam parados sobre um ponto do planeta a cerca de 36 mil quilômetros de altitude. Dessa forma, cada satélite cobre uma porção imensa do planeta, mas pela distância, a latência (tempo entre o envio de um comando e o recebimento de uma resposta) é alta, acima de 600 milissegundos.

Já os satélites de baixa órbita ficam a até 1,5 mil quilômetros do solo e um observador da terra consegue ver objetos se movimentarem. Já que estão em baixa órbita, o tempo de envio e recepção de dados entre o utilizador e o satélite é muito menor do que com satélites em órbita geoestacionária.

Segundo um relatório da Anatel, os satélites não-geoestacionários vêm ganhando terreno nos últimos anos porque podem ser construídos em uma linha de produção, conseguem atender “quase toda” a superfície terrestre e tem uma latência (tempo para transmitir uma informação) menor.

No entanto, a agência também ressaltou pontos negativos, como a geração de detritos espaciais, já que esse tipo de satélite tem uma vida útil menor do que o geoestacionário.

Além disso, como há um número maior de satélites — no caso da Starlink a constelação tem 4,4 mil unidades — há maior risco de colisões e pode trazer dificuldades para coordenação das frequências de outros satélites.

Em dezembro, por exemplo, a China se queixou com as Nações Unidas por ter sido obrigada a fazer manobras em sua estação espacial, após os equipamentos quase colidirem com satélites da SpaceX.

O direito de exploração pela Swarm no Brasil deve valer até 2035. Já o da Starlink o prazo é 2027. A chegada da rede de baixa órbita abre um mundo de novas oportunidades em locais remotos e de difícil conexão.

Latência

Uma das principais características dos satélites de baixa órbita é a baixa latência.

Com uma distância menor para percorrer, a resposta é mais rápida, praticamente em tempo real. As latências baixíssimas são exigências de novas tecnologias que devem surgir nos próximos anos, como os carros autônomos e a realidade aumentada. Tanto que os padrões definidos para as redes 5G são de latência de apenas 4 milissegundos.

Para a maioria das aplicações atuais, a velocidade de resposta não faz tanta diferença. Acessar um site na internet, assistir um filme por streaming ou enviar uma mensagem não dependem da latência baixa. Mas para um carro, trafegando a 100 km/h, qualquer atraso na tomada de decisão pode ser fatal. O mesmo acontece em cirurgias remotas, onde um pequeno delay na transmissão de imagens pode ter consequências graves.

No ano passado, a SpaceX fechou parceria com o Chile para disponibilizar internet para duas cidades do país. Para fazer a conexão, a empresa distribuiu kits de recepção de sinal de satélite, que permitirão serviços gratuitos de acesso por um ano. O custo do projeto deve ser absorvido pelos municípios.

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